Foco Música Rock

As You Were: a saga interminável de um Gallagher

Liam, seja bem-vindo novamente ao seu mundo de confusões.


Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

A vida foi dura com a Gallagher’s family. Peggy Gallagher deu a luz a três meninos e cuidou dos filhos com muita dificuldade. O mais novo deles é Liam, chamado pela família de o “nosso garoto”, e o mais próximo da mamãe Gallagher. Quando o caçula completou 10 anos, Peggy pegou a ninhada e fugiu do marido alcoólatra e agressor. Foi graças a fuga da progenitora que os Gallaghers puderam recomeçar.

Liam roubava bicicletas e arrumava confusão na escola, de onde foi expulso por sair na mão com alguns colegas. O motivo de toda essa ira, Liam diz ser os abusos recebidos pelo pai durante os tempos de Burnage. Trauma superado ou não, os irmãos Gallagher, menos o mais velho Paul, se uniram para montar o Oasis no início dos anos 90.

Fama e dinheiro não afastaram Liam dos problemas. O Oasis invadiu as rádios britânicas de maneira descomunal. Não demorou muito para se tornar uma banda popular e estampar as capas dos tabloides. A maioria das manchetes tratava sobre o envolvimento de Liam com drogas e as infinitas brigas com seu irmão Noel. As notícias parecem ter incentivado uma galera que aparecia nos shows da banda apenas para desafiar os irmãos bad boys.

As brigas de Liam não se resumiam a Noel e um bando de arruaceiros. Ele também trocou, através dos jornais, ofensas pesadas com seus rivais do Blur e começou uma guerra com as Spice Girls. Em um ataque de fúria durante um voo para a Austrália, o vocalista do Oasis foi banido de viajar pela companhia. E mesmo famoso e cheio da grana, Liam resolveu fazer uma assalto na terra do canguru. Foi processado, claro, mas a acusação acabou dando em nada. A vítima era sua fã e retirou a queixa.

Depois de apanhar de um repórter, ser retirado a pontapés de pubs, brigar em estádios e divórcios, Liam chegou ao ápice no duelo com Noel. O arranca-rabo resultou no fim do Oasis e cada um foi para um lado. O Gallagher caçula montou e assumiu os vocais da Beady Eye. Fez muito barulho como sempre, e disse à imprensa que sua nova banda seria melhor que o Oasis, mas não passou do segundo álbum. Um fiasco!

Durante essas décadas foram duas bandas arruinadas, dois divórcios, filhos ilegítimos, três ou quatro cortes de cabelos ruins e incontáveis tentativas frustradas de convencer Noel a reunir o Oasis. Apesar das ruínas, Liam parece ter aprendido, com o tempo, a se reconstruir. Pela terceira vez, o Gallagher mais novo encara mais um projeto em sua carreira, porém dessa vez sozinho.

Agora sem a sombra do irmão, sem o apoio de velhos parceiros e sem medo de cometer mais um desastre. Liam parece ter retornado com mais força, mais confiante e seguro. Ainda esbanja toda aquela marra característica, o ego altamente inflado, mantém a língua afiada como nunca, mas parece ter deixado aquele garotinho mimado da família para trás.

Não crio muitas expectativas em relação ao álbum. O que vejo é uma tentativa sólida de um cara cheio de problemas, inimigos e críticos que, aos 44 anos, parece ter encontrado o punch que vai nocautear a todos no último round. E mesmo com essa vontade imensa de vencer e depois esfregar na cara de um por um, Liam tem dito à imprensa que está feliz por voltar. Não é só você, Liam, nós também. Bem-vindo de volta ao mundo das confusões.

Seu primeiro disco solo, As You Were, chega dia 6 de outubro. Enquanto isso a gente curte algumas músicas do novo álbum e sucessos do passado.

Texto: Anderson Tissa
Foto: Divulgação

Notícias relacionadas