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Evolução do futebol

Foto: Divulgação

Olhando os anos 60 e comparando-os aos dias de hoje, levamos um susto. Como o futebol modificou-se! Os românticos não aceitam como evolução. Talvez pelas saudades das belas jogadas de Garrincha, Pelé, Tostão, Gerson, Dirceu Lopes, Zico, Ademir da Guia, Didi, Zagalo e inúmeros outros.

Zagalo, que tinha um pulmão de aço, também chamado de “Formiguinha de Ouro”, corria 6 a 7 quilômetros numa partida de futebol.

Inexistiam escolinhas pagas para ensinarem a jogar bola. Detalhe nunca imaginado. Aprendia-se nas pontas das vilas, em improvisados campos de saibro batido dos terrenos baldios.

O empresário da bola era aquele operário que trabalhava até às 4 da tarde. Nas suas andanças nos bairros, com seus olhos clínicos de águia, pinçava grandes estrelas para o futebol. Sua recompensa, apenas o carinho da família, ou a fama em seu bairro. Vangloriava-se, exibindo a camisa que ganhou do ídolo que descobrira e que atualmente brilhava num time grande brasileiro.

Quem não se lembra de Hélio Caetano, João Coxinha, Genebra, Goiano, Paulinho, Senhor Dudu do Radiador, Onofre, Ganga, Zezinho, Nego Bena e muitos outros filósofos que tiraram crianças e crianças das ruas, ensinando-lhes um caminho reto na vida?

Hoje, um atleta comum chega a fazer 13 quilômetros num jogo, sendo monitorado pelo GPS. Até os espaços no gramado a ser percorrido são orientados pelo computador.

Na análise de seu sangue, detectam-se futuras contusões, e por incrível que pareça, até o local delas.

Ontem, o craque não marcava o adversário. Isso era para os brucutus. Na ocasião, seria uma blasfêmia, essa atitude.
O preparo físico não tinha tanta prioridade assim. Havia mais treinos coletivos e mais espaços para os dribles dos grandes talentos da época.

A Europa era motivo de chacotas da galera brasileira, pelos seus calções longos abaixo do joelho e as cinturas duras.
Nosso desdém custou caro. Copiaram-nos, estudando os mínimos gestos da gente. Será que o aluno superou seu mestre? Pelo menos na mídia e no volume de dinheiro, deixaram-nos décadas para trás.

Foram tão bons aprendizes que hoje nossos jovens preferem jogar no Barcelona, no Real Madrid ou em outros grandes times do Velho Mundo do que nos nossos grandes clubes.

Talvez, por isso que a velha guarda chama os jogadores atuais de robôs. Segundo eles, a massa cinzenta foi substituída por músculos.

Entendo que seja um exagero, contudo, não tenho dúvidas de que o povo se sentia mais feliz e mais próximo de seus ídolos.

Como o tempo é o senhor da razão, torçamos para ele tratar com carinho esse esporte-rei, felicidade do povo!

Texto: Lucimar César

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