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Onde têm clusters no Brasil?

Foto: Divulgação

Muito se fala, mas será que temos muitos clusters no Brasil? Tal questionamento é importante fazer, porque aceitar o que não é como verdade pode dificultar a consolidação do que pode de fato ser.

No plano das reflexões, com intuito de contribuir e não de criticar, citamos aqui alguns conceitos que com certeza serão úteis para as lideranças empresariais analisarem como sua comunidade se encontra, e o que devem fazer para avançar na formação, na consolidação ou no desenvolvimento dos seus clusters.

Para se chegar a ser de fato um clusters, normalmente, passa-se por quatro planos:

• Pré-clusters – São empresas agrupadas em uma certa região, agindo de forma independente;
Clusters em construção – Agrupamento de empresas interligadas, mas com baixa sinergia. Não consegue obter o rendimento que poderia ter em razão da baixa interação;
Clusters formatado – Empresas interligadas e com projetos alicerçados pela sinergia e pela organização – bom nível de rendimento;
Clusters competitivo – Com macroprojetos comuns e atividades econômicas, com objetivo de tornar a comunidade autossustentáveis. Nesta fase, o investimento em inovação é fator indispensável para manutenção e crescimento.

Para ir da situação de pré–clusters para clusters competitivo, é necessário que a comunidade tenha afinidade, cultive tradições, valores, cultura. Invista de forma continua em ações cooperadas, educação e tecnologia visando desenvolvimento alto – sustentáveis, na construção de modelos competitivos.

É importante que as lideranças questionem sempre em que plano estão. Como nada fica estático, pode acontecer de estar entrando em estado de entropia negativa, ou seja, entrando em um processo de autodestruição, para não ser muito drástico, de baixo rendimento – o que não muda muito.

Independente do plano em que estiver, de forma planejada é importante propor esta discussão. Normalmente, o que é oportuno é necessário.

Um diagnóstico bem feito é um plano estratégico amplo; pode acelerar a mudança de planos e consequentemente criar um modelo mais competitivo ou melhora o modelo que está necessitando de, no mínimo, melhoria incremental.
Discussão semelhante se faz necessário em relação aos arranjos produtivos, que têm sido colocados com muita facilidade, mas na prática para se ter de fato é preciso muito trabalho e tempo.

Mas não critico as colocações e afirmações sobre estes temas, porque todo tipo de debate é bem-vindo em um país que precisa de todo seu capital intelectual disponível, para transformar potencial em riqueza e diminuir o nível de pobreza.

A impressão que temos é que muitos modelos de comunidades empresariais atenderam a um momento. Suas lideranças hoje fazem discussões e criam novas ações, mas não discutem se o modelo ainda atende ao ambiente em que estão inseridos. E esta é uma discussão permanente e não para acontecer só em época de crise.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão

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