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No Brasil a democracia tem dono, é propriedade particular

Foto: Ricaperrone

Muitos são os que conhecem o processo político, mas poucos são os que se interessam em participar. Porém, ledo engano, todos participam por ação ou por omissão. Esta é a questão: se as coisas não estão indo bem na política, isso se deve à falta de lideranças. O que está acontecendo mostra a pobreza de lideranças no País. O plantio do bom ou do péssimo representante nasce no Município, no Estado – o que chega a Brasília é o produto final.

Sabemos que o sistema democrático não é perfeito, entretanto, além das imperfeições, não podemos esquecer que ainda não temos partidos, e sim pseudopartidos. Na maioria das cidades brasileiras não há diretório, mas comissões provisórias, que são controladas normalmente de forma ditatorial; as intervenções acontecem a bel-prazer, pelo diretório nacional, regional ou pelo “líder” da região ou do local. Pelos donos da democracia.

Alguns políticos são, no termo exato da palavra, proprietários de legendas, com escritura de posse e uso hereditário, em que as estruturas do município ao plano federal são formadas por familiares, amigos e funcionários de gabinetes, em todo o País, com pequenas exceções. É necessário pesquisar muito para achar essas exceções. E mais, algumas lideranças controlam várias legendas de aluguel, não se contentam só com uma.

Estamos vivendo ainda um processo democrático atrasado e deturpado, que no papel é uma democracia representativa, mas não prática. Meia dúzia de pessoas organiza os pseudopartidos locais, controla com muito autoritarismo e casuísmo quem vai ser candidato e, quando chega o dia da eleição, de a A a Z você só pode escolher apenas as letras E e U, que formam o pronome EU, ou seja, eu, dono, escolho e mando, falo quais serão os candidatos, utilizo o fundo partidário, que, diga-se de passagem, é dinheiro público, uso ou vendo ou troco o meu tempo de TV e ainda vou chantagear os executivos na hora de votar. Esse teatro, ou melhor, negociata, é do conhecimento de todos atualmente.

É importante o cidadão, as entidades de classe, começarem a debater o que está acontecendo desde já, começarem a preparar novas lideranças para ocuparem o lugar dos que não estão sendo de fato representantes. Não deixe para última hora, para não continuar escolhendo entre E e U. O preço é muito alto se deixarmos à revelia. Está passando da hora de termos um projeto de Nação.

Editorial

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