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Elvis está morto? Um mineiro sabe a verdade

Há 40 anos um médico de Juiz de Fora ficou frente a frente com o corpo sem vida de Elvis Presley.


Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Tem gente que não acredita. Talvez pela tamanha admiração e por não aceitar a perda, muitos preferem acreditar em teorias conspiratórias. Uma delas diz que Elvis Presley assumiu uma identidade falsa e vive (até hoje) fora dos Estados Unidos. Outros poetizam e dizem que “nunca morrerá” por estar imortalizado nos corações dos fãs. E existe uma fatia de malucos que acredita que o Rei do Rock era um extra-terrestre e depois de uma temporada aqui na Terra, resolveu voltar para casa (outro planeta).

Infelizmente para todo esse pessoal (e até mesmo para quem acredita na morte), há um mineiro, nascido em Juiz de Fora, que garante com todas as letras que Elvis Presley está morto. Como pode ter tanta certeza? Ele estava lá.

O médico Raul Lamim era residente no Baptist Memorial Hospital, de Memphis – EUA. Quando não estava de plantão, centralizava seu tempo na sua tese de mestrado. Sempre depois de pegar os livros de patologia clínica, se dirigia à biblioteca do próprio hospital para se concentrar no estudo.

No dia 16 de agosto de 1977, Lamim havia finalizado seu expediente e estava pronto para retornar para casa. Foi quando uma funcionária o avisou sobre uma necropsia urgente para fazer. Ao receber a notícia, o médico não acreditou e pensou ser uma brincadeira. Mas quando viu viaturas e a imprensa do lado de fora do hospital, deduziu que algo de muito errado havia acontecido com Elvis.

Correu para a sala de necropsia e ao se deparar com o corpo, reparou na boca entreaberta com a língua parcialmente para fora e a tonalidade azulada da pele e das mucosa. Características, segundo o próprio médico, de quem passou por um grande sofrimento respiratório.

Elvis foi encontrado morto duas horas antes por sua noiva Ginger Alden, em Graceland – a famosa mansão em que o cantor vivia em Memphis. Na madrugada do dia de sua morte, o cantor estava ansioso com a nova turnê e por isso não conseguia relaxar. Jogou uma partida de squash às 4h, depois repassou músicas no piano e não parava de beliscar guloseimas. Entre uma atividade e outra, tomava calmantes.

Por volta das 9h, Elvis entrou no banheiro e nunca mais foi visto com vida. Sua noiva o encontrou somente às 14h, já desacordado. O médico particular do roqueiro tentou reanimá-lo ainda no banheiro. Em vão. Às 15h30, Elvis Presley foi declaro oficialmente morto.

Lamim é citado na obra The Death of Elvis Presley – What Really Happened (“A Morte de Elvis Presley – O Que Realmente Aconteceu”) de 1991. O livro reforça a tese de que o Rei do Rock não teria morrido.

Outras especulações sobre a morte afirmavam envenenamento e overdose de drogas. Mas o patologista de Juiz de Fora afirma que o exame toxicólogico não encontrou nenhum vestígio de veneno e nem drogas ilícitas, como maconha, cocaína ou heroína. E ainda afirma que nos registros médicos do cantor, não constava uso de bebida, cigarro e drogas.

Então o que matou Elvis? O exame de sangue constatou uso de diversos medicamentos, 14 substâncias diferentes para ser mais exato. Todos receitados pelo médico particular do astro, George Nichopoulos – o mesmo que tentou reanimá-lo no banheiro. Somente um teria sido tomado acima do reomendado: o antidepressivo metaqualona. Na ocasião, Nichopoulos foi acusado pelo Conselho de Médicos Legistas do Tenessee por prescrever remédios em excesso e teve a licença suspensa por três meses. Em 1995, ao repetir o procedimento, o médico perdeu a licença em definitivo.

Mesmo com o testemunho do médico brasileiro Raul Lamim, as teses sobre a morte de Elvis Presley continuarão. E a cada dia surgirão uma mais cabulosa que a outra. Não há problema nisso. São esses causos que ajudam a perpetuar a obra e figura do mito. Na verdade, mesmo sabendo o que realmente houve, não queremos acreditar na verdade, não queremos acreditar em Lamim. Lá no fundo, a gente quer mesmo é continuar a ouvir as teorias mirabolantes e falsas. Porque são elas que deixam Elvis cada dia mais vivo.

Texto: Anderson Tissa

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