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Não podemos fingir que não temos vizinhos!

Foto: Sebastião Barbosa

É incrível como “fingimos bem” que não temos vizinhos!

Quem conhece os vizinhos do lado? Não estamos falando em ser amigo de visitar um ao outro e, sim, de saber o nome do marido, da esposa, dos filhos, onde trabalha, o telefone, coisas corriqueiras de quem “mora” do outro lado do muro.

Trocar um verdadeiro “Bom dia! Como vai?”. FALAR, pelo menos, dos problemas do bairro.

Esse isolamento total, em nosso “lar, doce lar”, nos faz questionar: “Como posso exercer meu papel como cidadão, sem ao menos conhecer o mínimo das duas famílias que cercam a minha casa?”.

Sabemos as principais respostas: “Não tenho mais tempo! Nem vejo meus vizinhos! Não vou me intrometer na vida dos outros!”.

Assim, esse pensamento, sem qualquer iniciativa contrária, vira uma dura realidade para todos “do outro lado do muro”.

Aqui, vale lembrar o significado de cidadão: é o habitante da cidade, e tem o direito de gozar de seus direitos civis e políticos do Estado em que nasceu, ou no desempenho de seus deveres para com este. O cidadão, ao ter consciência e exercer seus direitos e deveres para com a pátria, está praticando a cidadania.

Então localizamos o problema: o pensamento.

A partir daí, entendemos o pensamento nacional de apatia com a Venezuela.

Será melhor tratar esse país vizinho como POVO vizinho: mulheres, crianças, idosos, doentes, desempregados, famintos, oprimidos, massacrados, humilhados e sem qualquer apoio…

Não é possível que o governo brasileiro vai “fingir que não temos vizinho”, ao ponto de ingressar na Justiça para não assumir qualquer responsabilidade sobre esse POVO, numa situação humana e histórica de escravidão política, por um ditador medíocre.

Novamente, não estamos reclamando por não sermos “amigos” dos venezuelanos, mas porque podemos FALAR e PEDIR nos fóruns apropriados: ONU – OEA – CONGRESSO NACIONAL – OAB – ITAMARATI, etc… o seguinte: “O Brasil NÃO ACEITA esta situação de opressão ao nosso vizinho Venezuela”.

No mínimo, criar uma comissão mista: diplomatas, deputados, juízes, promotores, militares, professores, advogados, para apresentarem um diagnóstico imparcial da situação política da Venezuela e propor aos países da América do Sul e aos aliados mundiais um SOCORRO imediato a esse povo que sofre.

Não podemos carregar a vergonha de “cruzar os braços” e ser vistos pelos nossos netos, nos livros de história, como corresponsáveis pelos atos de maldade de um único homem: Nicolás Maduro.

Os ideais defendidos por esse ditador são inescrupulosos, assim como todos que o defendem.

Temos liberdade para não admitir esse aprisionamento e libertar ao menos nosso PENSAMENTO DE JUSTIÇA!

Afinal, onde está o muro que nos separa da Venezuela?

 

Texto: Sebastião Barbosa e Silva Junior
Advogado Empresarial

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