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A primeira estrada

Foto: Divulgação

O primeiro automóvel a transitar em ruas brasileiras, em São Paulo,  foi um Peugeot, trazido da França por Alberto Santos Dumont em 1891. Foi um automóvel que ficou mais na garagem que nas ruas. No Rio de Janeiro, o primeiro automóvel também veio da França, em 1897, importado pelo jornalista abolicionista José do Patrocínio.

Em 1912, transitou pelas ruas esburacadas ou enlameadas de Uberabinha o Ford Double Phaeton, do dr. Ignácio Pinheiro Paes Leme. Era o primeiro. Em razão de suas rodas metálicas, envolvidas por uma massa de borracha pura e um sistema rudimentar de amortecimento, o carro andava aos pulos, o que lhe valeu o apelido de “gafanhoto”.

Esse automóvel chegou aqui com o objetivo de ser usado pelo dr. Paes Leme, que era engenheiro, para percorrer a região estabelecendo o traçado das futuras rodovias as quais Fernando Vilela construiria. Imaginem o sacrifício que foi. Paes Leme foi daqui a Monte Alegre, de Monte Alegre a Ituiutaba e de Ituiutaba a Itumbiara montado nessa máquina puladora, passando por caminhos que eram rotas de carros de bois. Não conseguia fazer mais que 10 quilômetros por hora. Por onde passava ia assustando um povo inculto, analfabeto, que nunca ouvira falar em automóvel. Foi pregando sustos aonde chegava.

Imaginem também a loucura do Fernando Vilela. Os povos dessas cidades não sabiam o que era um automóvel, um caminhão. Não havia disso por aqui, nem combustível, nem motorista, nem mecânico, nem peças de reposição.

Fernando Vilela, no entanto, enfrentou sua loucura e construiu a primeira estrada de rodagem no Brasil Central. De Itumbiara, ponto final de sua rodovia, para frente, instalou-se um leque de estradas para todo canto, chegando até Mato Grosso.

Quase meio século depois, fez-se a primeira aplicação de asfalto no Triângulo. De Uberlândia ao Trevo de Monte Alegre. Praticamente em cima do traçado pioneiro da estrada do Fernando Vilela levantado pelo Paes Leme.

 

Texto: Antônio Pereira da Silva

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