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Cidade inteligente

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão.           Foto: Divulgação

Recentemente escrevi um artigo em que citei a expressão “cidade inteligente”. Recebi algumas solicitações para discorrer melhor sobre o tema, como também sobre o FIB – Índice de Felicidade Bruta. Ocupo este espaço hoje para tratar sobre o primeiro tema. Em um outro momento, falarei sobre o segundo.

Não é mais um modismo da área de Administração, é uma realidade: a Tecnologia da Informação, aliada à da Comunicação, está criando uma nova sociedade; só que as nossas cidades ainda são administradas de forma conservadora. Muito disso não se deve à formação de seus gestores, mas ao estágio cultural da comunidade – apesar do uso crescente das novas tecnologias, ainda não se consolidou como uma comunidade integrada à tecnologia. Mas é uma questão de tempo, o novo processo é irreversível. Basta observar a geração Y, pessoas que nasceram após o surgimento da internet, as quais vivem mais o mundo virtual do que o físico. Têm dificuldade os que ainda não optaram por fazer parte dessa nova comunidade, mas deverão migrar, porque nos restaurantes os tablets estão substituindo os cardápios antigos, as grandes bibliotecas estão sendo digitalizadas e muito mais.

Em Hong Kong, como em muitas outras cidades, para entrar em alguns centros empresariais é necessário ter uma senha, que dá acesso apenas ao andar e à sala que se irá visitar, com data de vencimento e horário de uso. Não há mais porteiro e muito menos recepção; caso você chegue atrasado à reunião, não entrará, a sua senha de acesso se apresentará como inválida.

Mas na nossa avaliação, onde mais necessitamos avançar é nas cidades. Como disse o urbanista Jaime Lerner, “cidade não é problema, é solução”. Agora temos como melhorar a vida das pessoas com custo baixo, com ganhos significativos no médio e longo prazo. Discute-se como se ter uma cidade inteligente, que é muito mais do que possuir um site bonito e dinâmico no portal da Prefeitura, “é ter uma comunidade que faz esforço consciente para usar a Tecnologia da Informação para transformar a vida de forma significativa em vez de seguir uma forma incremental”. O poder voltando para o cidadão. As redes sociais já deram o novo norte.

Este espaço é pequeno para nos aprofundarmos no assunto, mas qual é o vetor para acontecer o que estamos comentando? É muito forte, e não é sonho: toda atividade que não necessita de contato físico pode vir a ser digitalizada nos próximos anos. Não dá para imaginar a economia de tempo, de recursos que vai gerar. Vamos dar um dos muitos exemplos e provocar outros. Em Cingapura, “um novo sistema de tráfego foi desenvolvido, integrando gestão de tarifas e análises para ajudar a prever congestionamentos com até uma hora de antecedência, com precisão de 85%, e diminuir o carbono”.

A maioria dos deslocamentos para se ir a organizações públicas ou privadas será substituída por atividades on line. Algumas já acontecem, mas será a maioria. Isso significa diminuição de burocracia, de deslocamentos, de custo e de poder – o cidadão não vai precisar pedir favor para ter o que lhe é de direito.

O futuro das cidades está mais ligado a sistemas inteligentes do que a fazer obras faraônicas, até porque, se não acontecer, seremos vítimas do carro, como disse Lerner: “o carro é igual sogra, se deixar, ocupa todo o espaço”.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão

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