Cidade Expresso

Medicamento estimula defesa natural das plantas e dispensa agrotóxicos

UFU é primeira universidade do mundo a fazer experimentos com o produto na agricultura

Na imagem à esquerda, horta sem aplicação do BioFAO. À direita, a mesma horta 24 dias após aplicação do medicamento                                                                       Foto: Arquivo dos pesquisadores

Experimentos feitos por pesquisadores do Instituto de Agronomia da UFU apontam uma maneira diferente de proteger as plantas contra insetos na agricultura, sem veneno para eliminá-los: o medicamento BioFAO recupera a defesa natural dos vegetais, organizando o campo eletromagnético que existe em torno deles, chamado de biocampo. Na prática, em vez de matar os insetos, como fazem os agrotóxicos, o BioFAO estimula a planta a usar suas próprias ferramentas para se defender. Os resultados mostram que a estratégia funciona.

O BioFAO começou a ser utilizado em seres humanos, em 1985, no tratamento de pacientes crônicos intoxicados com agrotóxicos (trabalhadores rurais), chumbo, solventes (trabalhadores de indústrias) e mercúrio, por exemplo. Os estudos surgiram em consultórios de um grupo de médicos, no Rio de Janeiro, sem ter vínculo com nenhuma universidade. Até que, em 2005, a médica Míria de Amorim trabalhou a proposta em sua dissertação de mestrado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Rigor científico 
Desde 2006, a técnica do BioFAO é utilizada por Amorim em tratamentos no Ambulatório de Toxologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da UFRJ. A pesquisadora também fez alguns experimentos com o BioFAO aplicado em plantas. O primeiro deles foi em uma fazenda na cidade de Nova Friburgo (RJ), mas não havia nada com viés científico que observasse os efeitos do BioFAO na agricultura.
Isso mudou quando, a partir de 2011, a UFU passou a fazer testes com o medicamento. O processo reuniu cerca de 40 pesquisadores e foi coordenado pela docente Marli Ranal, que atua no Programa de Pós-Graduação em Agronomia. Por meio deste estudo, foi possível comprovar a eficácia do BioFAO na agricultura e medir o tamanho do campo que protege a planta que recebe o medicamento.
Em julho deste ano, Amorim e Ranal lançaram o livro “BioFAO na Agricultura: recuperação da defesa natural das plantas”, reunindo os textos científicos resultantes da pesquisa na UFU, que perdurou de 2011 a 2014. Atualmente, a Universidade de Coimbra, em Portugal, decidiu também iniciar experimentos com o BioFAO na agricultura. Segundo Amorim, observaram-se os benefícios também em animais, como bovinos, por exemplo, em experimentos aqui no Brasil.

Resultados da UFU
Campus Umuarama, Fazenda do Glória e assentamentos de Uberlândia foram lugares em que o BioFAO foi aplicado. Nas experimentações que aconteceram em espaços da UFU, especificamente, os procedimentos aconteceram da seguinte forma: pulgões cultivados em laboratório eram colocados nas folhas de plantas, como a couve, por exemplo. Os pesquisadores organizaram os canteiros de couve em uma fileira, separados pela distância de um metro. Apenas um canteiro recebeu o medicamento: uma gota ou um borrifo em uma única folha da planta é o suficiente. Por meio desse procedimento, foi possível observar que o BioFAO formava um campo de proteção em torno da planta quando organizava seu biocampo, afastando os insetos.

Os pesquisadores conseguiram ainda medir esse campo. Constataram que, em uma distância de cinco metros a partir do canteiro que recebeu o medicamento, o número de pulgões era mínimo. A partir disso, a quantidade dos insetos foi aumentando. “Então, o campo protetor daquela planta, que é uma muda e deve ter no máximo 10 cm de altura, gerou um biocampo de 5 m de distância”, afirma Ranal. Dessa forma, o campo protege não só a planta que recebeu o BioFAO, mas alcança também aquelas que estão localizadas até 5 m de distância dela.

Defesa inata 
E se alguns insetos “furam” esse bloqueio e chegam até o vegetal? Nesse caso, acontece um processo natural de auto-proteção. De acordo com Ranal, “quando o inseto vem e toca a folha, a planta aciona o sistema de imunidade dela e produz os compostos fenólicos e os antioxidantes para aumentar a própria defesa”, explica. Por causa dessas substâncias liberadas, o inseto perde o interesse em se alimentar ali.

Essa defesa natural tem ainda outra carta na manga. Ao sentir o toque dos insetos, as plantas “avisam” (liberando substâncias voláteis) aos predadores naturais dos herbívoros que eles estão por ali. É como se saísse das folhas um perfume que os predadores identificam e conseguem então perceber onde está a comida, sendo atraídos para lá.
Esse processo auxilia no equilíbrio ecológico que, segundo Ranal, é prejudicado pelo uso de agrotóxicos. “O BioFAO contribui para manter esse sistema natural. Com os agrotóxicos a planta não faz mais isso porque o bicho não chega nela, o agrotóxico mata. Às vezes, temos algumas populações sendo exterminadas e outras aumentando porque o inimigo natural delas desapareceu. Então, o equilíbrio ecológico dos grupos está totalmente alterado há muito anos”, alerta.

Um outro benefício 
Além de conseguir mensurar o tamanho do campo de proteção ao redor da planta, os pesquisadores detectaram que o BioFAO contribui para a fotossíntese. Eles fizeram experimentos com o medicamento em potências ou frequências diferentes: o BioFAO branco, que é mais básico, mais “fraco” e o BioFAO Solaris, que tem uma potência um pouco maior. Cada um deles pode ser melhor ou pior para diferentes tipos de planta. Nos experimentos da UFU, o tipo Branco foi melhor para a couve e o tipo Solaris ideal para pimentões. De acordo com Ranal, o medicamento deve ser aplicado “na frequência correta do ser vivo, se não acaba gerando sintomas de doença, isso se chama patogenesia”.
Em relação à fotossíntese, existe uma molécula, a Rubisco, que equivale a cerca de metade do peso de cada folha. Sem essa proteína tão abundante, não acontece fotossíntese e, sem fotossíntese, não são produzidas novas folhas. A Rubisco trabalha melhor à temperatura de 25ºC, e folhas que receberam BioFAO branco se mantiveram nessa temperatura ideal. As que, nos experimentos, não tiveram contato com o medicamento, chegaram até 28ºC.

Da direita para esquerda, a primeira imagem mostra um pé de pimentão sem nenhum remédio nem BioFAO; na segunda, após aplicação do BioFAO Branco; na terceira, a planta após aplicação do BioFAo Solaris.                                                   Foto: Arquivos dos pesquisadores

 

Como tudo acontece
Todo o trabalho do BioFAO se dá porque ele atua no biocampo: o campo eletromagnético da planta. Mas o que isso significa?  Amorim explica que esse é um dos quatro campos de força da ciência. “Tem o campo gravitacional, nuclear forte, nuclear fraco e o eletromagnetismo. O BioFAO tenta organizar esse campo eletromagnético do indivíduo”, esclarece. E faz o mesmo no caso de plantas e animais.
Organizar o biocampo significa realinhá-lo com o que cientistas chamam de informação ou código universal. Em outros termos, a ideia é combinar o biocampo de pessoas, plantas ou animais com esse código universal, que é o biocampo do universo. “Eu não trabalho na lógica da doença, trabalho na lógica da saúde; de recuperar todo o padrão inerente à saúde desse biocampo e botar na sua vibração eletromagnética normal, realinhado com essa dinâmica universal”, esclarece Amorim. Se o biocampo do universo está “conversando” bem com o biocampo de uma planta, ela passa a ser o que Amorim chama de um “corpo fechado”, ou seja, está protegida de interferências que a fazem mal, como insetos. O mesmo se dá quando pessoas ou animais ingerem o BioFAO, diante do objetivo de combater ou evitar doenças.
O BioFAO é composto pela combinação de sete elementos: Sulfeto de Atimônio, Carbonato de Potássio, Ouro, Nitrato de Mercúrio, Enxofre, Cloreto de Sódio e Cloreto de Amônia. Mas eles não são colocados como substâncias puras, são diluídos muitas vezes em água. A cada diluição, o elemento é dinamizado, agitado. “Dão pancadas naquele líquido, que se chamam sucção, e aquilo vai registrando a assinatura eletromagnética do elemento químico”, detalha Ranal.
E como isso se diferencia de um medicamento convencional? “A diferença é que, quando se aplica a substância direta, você está aplicando moléculas, é uma questão química; e quando se aplica energia eletromagnética, está aplicando algo que é biofísico”. É por isso que o medicamento contém Mercúrio, mesmo essa sendo uma substância tóxica: não prejudica a saúde porque o que está presente não são suas moléculas, mas a energia dele.
Viabilidade
O agrônomo Paulo Ribeiro Oliveira participou da pesquisa como aluno de doutorado e, posteriormente, como pós-doutorando. Ele explica que os experimentos têm um caráter de ineditismo. “A ideia de trabalhar com algo que é considerado exotérico por muitas partes da ciência [por envolver campo eletromagnético] e mostrar que isso não é exotérico, que, ao contrário, é estatisticamente e fisiologicamente viável nos dá um know how de ineditismo muito interessante”, acredita.

O BioFAO despertou o interesse de agricultores tanto portugueses, que o utilizam em plantações de uva, quanto brasileiros. Para utilizá-lo, o agricultor não pode aplicar agrotóxico na lavoura. Além disso, Amorim esclarece que, no Instituto BioFAO, que hoje é responsável pelas pesquisas com o medicamento e oferece cursos sobre ele, tem-se a preocupação com o direcionamento do uso do BioFAO. “Temos o cuidado de não favorecer  mecanismos perversos como monoculturas; a gente está querendo trabalhar numa forma de uma ecologia correta”, esclarece. Ela afirma ainda que a técnica é também viável financeiramente: “consegue-se medicar uma lavoura de muitos hectares com menos de R$ 100”.

Assim, essa técnica contribui para a agricultura orgânica. Segundo Oliveira, é uma ferramenta para uma mudança de paradigma, da monocultura para a produção orgânica. “Um dos maiores problemas da produção orgânica é não termos as ferramentas que a agricultura convencional possui. [O BioFAO] é uma ferramenta para melhoria da produtividade orgânica”, defende.

Couve, alface, pimentão, pepino. Houve experimentos na UFU com diversas  culturas. E para quem consome esses alimentos, existem efeitos no organismo? Amorim esclarece que o vegetal não passa para o ser humano as informações do remédio porque, ao receber o BioFAO, a planta leva de três a quatro minutos para absorver toda a informação, seu biocampo fica equilibrado e depois não há resquícios dela no vegetal. Por outro lado, comer esses vegetais significa “ingerir um alimento energeticamente perfeito”, segundo a pesquisadora. “Vai funcionar como um estabilizador de energia, que significa criar uma harmonia nessas frequências eletromagnéticas do biocampo e melhorar a defesa [do ser humano], esclarece Amorim.
Texto: Comunicação UFU

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