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Ser ou não ser honesto, eis a questão

Sebastião Barbosa e Silva Junior, advogado. Foto: Divulgação

O que EU ganhei com a Operação Lava Jato?

“Este país não tem jeito! A sociedade é culpada! O povo não tem consciência! Aqui todo mundo quer levar vantagem! É o ‘jeitinho’ brasileiro!”

Estas são as afirmações “coletivas” que costumamos falar e ouvir.

Temos o péssimo hábito de atribuir à sociedade toda e qualquer mazela, sem ter a coragem de nos incluir como parte dela.

Vamos, pessoalmente, avaliar o que realmente mudou, a partir dessa LAVAGEM MORAL, usando agora a referência: EU.

Recordamos que outros momentos políticos, relevantes como este, trouxeram mudanças ao País, mas também na vida pessoal das pessoas e das famílias. É o caso do PLANO REAL: deixamos de conviver com a inflação mensal altíssima. Isso não só gerou mudança à “sociedade”, como também ao “particular”.

Agora, fomos bombardeados por uma épica disputa entre o BEM e o MAL. De um lado: um juiz federal que lidera uma verdadeira batalha contra a corrupção, para isso tem que ser honesto e ter valores morais inquestionáveis; do outro lado: uma corja de políticos e empresários corruptos, surrupiando a riqueza que o Brasil começou a conquistar, logo nos primeiros anos de crescimento.

E aí? O que EU ganhei com isso?

Primeiro, no campo econômico, não podemos considerar GANHO a recuperação de prejuízo. As delações com ressarcimento e as apreensões de dinheiro são meras e pequenas DEVOLUÇÕES, não representam nem 10% do que foi “roubado”.

Mesmo porque, o que foi recuperado não repercute diretamente no patrimônio de cada brasileiro.

Assim, o EU – financeiro – não ganhou nada!

Segundo, no campo da evolução moral, podemos dizer que há uma sensação, ainda que baixa, de JUSTIÇA, ou seja, o sistema prisional conheceu “celebridades” que jamais imaginamos ver “atrás das grades”.

Ainda que tenha gerado essa percepção global de justiça, não foi suficiente para fixar uma mudança no quadro da administração pública que alcance a vida pessoal do cidadão.

Aqui, o EU – brasileiro – ganhou um pouco!

Nessa análise, aparentemente frustrante, concluiremos que foi e está sendo muito esforço da Polícia Federal, de procuradores e juízes, para resultados insatisfatórios, principalmente, quando penso no EU.

Esse é o ponto principal que queremos levar o leitor a refletir.

Quando pensamos a partir do nosso universo particular para o todo, percebemos que, se não estivermos seriamente envolvidos e participativos, com nossas atitudes pessoais, de fato o meu EU sempre estará aquém das expectativas coletivas.

Não precisamos de grandes feitos, ações extraordinárias ou dedicação exclusiva.

Simplesmente decidir, particularmente, SER HONESTO!

Imaginem se todos os corruptos tivessem decidido assim no próprio EU.

Neste caso, o EU ganhou o EXEMPLO de que temos que fazer nossa parte, individualmente.

 

Texto: Sebastião Barbosa e Silva Junior
Advogado Empresarial

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