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TRILUNA: Protagonismo Feminino na Cena Cultural

Elas carregam as caixas de som e não precisam de ajuda. Conheça a produtora Triluna, que veio para inserir protagonismo feminino na cena cultural

Foto: Divulgação

Em um passado recente, os eventos culturais em Uberlândia e região, principalmente os alternativos e independentes, eram, em grande maioria, protagonizados por homens, desde a organização até as bandas e backstage. A presença feminina sempre existiu com fortes nomes e mulheres lutando por reconhecimento e atuação, em um meio no qual mulheres são pouco reconhecidas e facilmente desacreditadas devido aos preconceitos de gênero, que têm raízes históricas em uma sociedade patriarcal. Mas essa participação de mulheres vem crescendo e ocupando espaços e funções antes estereotipados como masculinos, como produção musical, produção de som, produção audiovisual, execução de diversos instrumentos musicais e tantas outras coisas. Inspiradas nessa movimentação feminina crescente e em tantas mulheres que estão revertendo esse quadro de desequilíbrio de gênero na cena cultural independente, foi criada a Triluna.

A Triluna é uma Produtora Cultural que realiza eventos voltados à música e à arte em geral, tendo como princípio trazer mais visibilidade às mulheres na cena cultural. Formada por 3 mulheres, a produtora está com muitos projetos para serem lançados ainda este ano.

 

O PRIMEIRO EVENTO CONTA COM ATRAÇÃO INTERNACIONAL

O evento que também será o grande lançamento da produtora vai acontecer no dia 2 de setembro, já com uma atração internacional, a cantora indie francesa Laure Briard, que está em turnê no Brasil e vem a Uberlândia para fazer um show no espaço Nosso Trampo. Laure Briard mostra uma série de canções pop e delicadas, com forte inspiração na música dos anos 60 flertando com o indie rock dos 90. Seu primeiro álbum teve participações do baterista do Tame Impala e seu estilo musical batizado de “Yeyé Psicodélico” pela mídia indie na Europa.

No evento também terá apresentação da banda Naïfs, discotecagem, roda de conversa sobre o protagonismo feminino, além de exposições de artistas locais e bancas de comidas vegetarianas e bebidas.

Para saber mais sobre o evento, acesse: https://www.facebook.com/events/331753193947753/

 

BATE-PAPO COM AS TRILUNAS

Conversei com as fundadoras do Triluna, Ana Zumpano, Amanda Bredariol e Júlia Commiato, para entender algumas questões que envolvem não só a produtora, mas também seus posicionamentos, e sobre a luta da mulher na cena cultural.

 

1 – De onde surgiu a ideia de montar a Triluna?

A produtora surgiu depois de muitas experiências e ideias que tivemos relacionadas à música e ao empoderamento da mulher. De primeira a gente se encontrava informalmente mesmo, pra conversar sobre música, trocar experiências, beber, fazer um som e acabou que tudo fluiu muito bem quando a gente começou a profissionalizar a parada. Cada encontro nos levava a perceber que o caminho que a gente tinha que seguir pra nossa história era este mesmo: uma produtora que focasse a mulher como protagonista, em todas as esferas.

 

2 – Como vocês se conheceram e a partir de que momento surgiu a necessidade de fazer a Triluna acontecer?

Nos conhecíamos há algum tempo de outras estradas, mas no último ano, principalmente nas redes sociais, a gente foi percebendo que tínhamos muitos gostos em comum. Não só em relação a artistas e bandas, mas também à vontade de produzir nosso próprio rolê, trazer para a região essa galera de que a gente é fã e apoiar as mulheres o máximo possível, criando espaços e oportunidades para que elas possam se inserir no cenário artístico e cultural de Uberlândia ainda mais.

 

3 – Quem faz parte da Triluna?

Somos 3 mulheres à frente da Triluna. Amanda Bredariol, que é publicitária por formação, domina mais a parte de criação e comunicação em geral. Ela também é DJ nas festas e festivais independentes daqui da região (Triângulo Mineiro). A Ana Zumpano é baterista e vocalista da banda Lava Divers, tem formação em teatro e experiência na publicidade e na produção de eventos em Uberlândia e região. É voluntária do Girls Rock Camp Brasil e Girls Rock Camp Porto Alegre e está há uns dois anos focada no intercâmbio de bandas de todos os estados com a cidade de Uberlândia. Ela fica mais focada na curadoria das bandas e idealização dos eventos. A Júlia Commiato está formando em Ciências Sociais e é cantora, então já está no meio musical da cidade. Como ela já tinha experiência de produção e comunicação, fica mais à frente do contato com as bandas e da formalização das parcerias. O massa disso tudo é que cada uma tem conhecimento em uma função diferente e assim vamos nos completando com as experiências que fomos acumulando por aí, mas ao mesmo tempo estamos todas na mesma vibe e unidas por um amor e interesse em comum.

 

4 – Qual a intenção da Triluna? Vocês acreditam que a Triluna pode ser transformadora para a sociedade?

Estamos em um momento de efervescência na cena independente aqui em Uberlândia. São muitas bandas excelentes e coletivos fazendo o rolê acontecer, mas sentimos a necessidade de mais eventos com bandas com mulheres na formação e também na produção. A nossa intenção é chegar para agregar nesse cenário que já está tomando uma forma muito massa na cidade e incentivar as mulheres, para que elas se sintam cada vez mais confortáveis em participar, seja construindo um evento, se apresentando, expondo e comercializando seus trabalhos, dando ideias e frequentando esses espaços.

 

5 – Como vocês veem a importância das mulheres na cena cultural?

Algo que a gente costuma ouvir muito de outras minas é que a representatividade tem feito toda a diferença por aqui, sabe? Experiências de amigas nossas, mesmo. Ver outras mulheres tocando tem incentivado muito outras a começarem a tocar. Ver que tem mulher produzindo rolê tem feito outras mulheres perceberem que elas também podem fazer, é só botar a cara, mesmo. E assim a gente vai despertando, se apoiando e construindo várias coisas juntas. Essa identificação é muito importante.

 

6 – Quais os desafios enfrentados por ser mulher e trabalhar na cena cultural?

O meio musical é ainda majoritariamente composto por figuras masculinas. É um cenário que a gente tá se propondo a ajudar a mudar, porque ainda é complicado pras mulheres se inserirem de maneira igualitária, da forma que a gente deseja. Isso porque quando acontece de a figura feminina se inserir nesse contexto, fica muito claro que o tratamento é diferente, algo que se aproxima de uma mistura de “cavalheirismo” com uma desconfiança da capacidade de que um trabalho realizado por ela seja tão bom quanto ou melhor do que seria um trabalho executado por um brother.

As mulheres enfrentam desafios para conseguirem participar desse movimento por vivermos em uma sociedade que polariza todas as coisas possíveis entre feminino/masculino e que resolveu que “mexer com música” é coisa de homem. Daí, quando conseguem participar, as minas ainda têm que lidar profissionalmente com pessoas que questionam suas experiências, seus conhecimentos e duvidam de um resultado satisfatório do seu trabalho.

 

 

Para conhecer mais sobre o Triluna:
Facebook:
https://www.facebook.com/contatotriluna/
Para entrar em contato: contatotriluna@gmail.com

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