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Temos poucas commodity no Brasil

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão.           Foto: Divulgação

A maioria dos produtos brasileiros não são mais puramente commodity. Por mais simples que seja o processo, o brasileiro hoje tem um modelo de produção que diferencia da produção passada: fazemos hoje produtos justos!

É importante elucidar melhor essa conclusão, porque há diferença.Temos que ser reconhecidos e remunerados por este trabalho, não só pelo que nos custa na hora de produzir, mas principalmente pela gestão profissional e responsável que temos hoje nessas atividades.

Conceitualmente, commodity são produtos padronizados, com pouco valor agregado, que recebem neste estágio poucos beneficiamentos. Se considerarmos apenas este conceito, a maioria dos nossos produtos – como couro, café, carne, soja, leite e outros -são de fato commodity.

Mas não dá mais para aceitar essa classificação simplista, porque o conceito de mercado justo modifica substancialmente este conceito e torna, ao nosso ver, a maioria dos produtos brasileiros, na totalidade, de altíssimo valor agregado.

Explicitando. Cada vez mais consumidores em todos os países do primeiro mundo estão boicotando as empresas irresponsáveis na relação com fornecedores ou meio ambiente.

“Uma pesquisa publicada pelo jornal Daily Express, feita com 150 executivos, indica que a preocupação com os ataques de ativistas de direitos humanos, ambientalistas ou grupos de consumidores já é maior que a dor de cabeça provocada por sindicalistas ou governos.

Nos últimos anos, as vendas dos chamados produtos éticos cresceram  60%, de acordo com a Frairtrade Labelling Organizatinos Internacional (FLO),uma organização sediada na Alemanha que concede  um selo de Comércio justo a fabricantes  que não utilizam trabalho escravo, mão-de-obra infantil e investem em projetos não prejudiciais ao meio ambiente.

Considerando que 44% dos consumidores europeus estão dispostos a pagar mais por produtos éticos, chegando na Dinamarca a 64%, na Holanda 84% e 89% na Espanha”.

O que falta é mostrar a todos como é o agronegócio no Brasil:  temos o boi criado a pasto; as plantas frigoríficas e a indústria de couro com tratamento de influentes modelos; o  setor de leite passando para um processo moderno de granalização e manejo, conseguindo  qualidade a e b para este e as nossas lavouras de soja, café, algodão e cana, com irrigação e mão de obra adulto e registrada, com  projetos sociais e ambiental, atendendo a todas as  exigências do mercado ético.

O Brasileiro está produzindo o que o primeiro mundo precisa, o que eles não conseguem mais produzir e estamos  fazendo o que eles não conseguiram:  geramos produto verdadeiramente ético, para atender os mercados mais exigentes. Mas não estamos sendo remunerados por isto, o que não é justo. Este novo conceito deve ser discutido com mais amplitude em todas as cadeias produtivas.

 

Texto: Hélio Alves Mendes
Consultor e Prof. de Planejamento de Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão.

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