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Uberlândia Clube

Foto: Sandra Pacheco Freitas

No dia 19/08/2017,  tivemos mais uma saída fotográfica do Foto clube de Uberlândia, parabenizo nosso querido diretor de fotografia Leonardo Leo Figueiredo, pela excelente sugestão de fotografar o Uberlândia Clube, este tão querido e admirado pelos uberlandenses, de onde temos ótimas recordações. O Uberlândia Clube Sociedade Recreativa é um clube privado com seu quadro de sócios constituído por famílias representativas da elite social uberlandense. A atual sede foi inaugurada em 26 de janeiro de 1957, na gestão do Sr. José Rezende Ribeiro – sócio proprietário e diretor do Clube.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

Esta edificação foi construída para substituir a primeira sede, localizada na Avenida Afonso Pena esquina com Olegário Maciel, que se tornara pequena para as atividades do clube com o número crescente de sócios. A construção se deu com capital dos sócios proprietários, em terreno doado pelo Estado de Minas Gerais.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

O projeto é de autoria do engenheiro Almôr da Cunha, escolhido através de concurso. A decoração ficou por conta do decorador e artista plástico Sérgio de Freitas, indicado por Almôr. O edifício possui linhas arrojadas de tendência moderna, associadas a elementos do art déco.

O corpo do edifício é um volume regular de três pavimentos, construído nos limites frontal e laterais do terreno. O térreo apresenta pilotis altos, de seção circular, revestidos de pastilhas azuis que ampliam o passeio, rompendo com a linearidade da elevação e criando uma área diferenciada no centro da cidade para a qual se abrem uma galeria de lojas dispostas em dois corredores que adentram o terreno. Seu piso é revestido por pedras portuguesas, branca e preta, que formam desenhos de formas amebóides.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

A fachada frontal do segundo pavimento é marcada pela presença de um pano de vidro em toda sua extensão, protegido por brise-soleis azuis. No centro, dividindo-a simetricamente, encontra-se um grande vitral côncavo de vidro jateado. No térreo, há uma grande porta de vidro central que serve de acesso ao interior do Clube propriamente dito; esta porta é marcada por uma cobertura rebaixada que chega até a fachada, abre-se para um hall que possui um painel de pastilha, um pequeno espelho d’água e uma suntuosa rampa circular que leva a outro hall no segundo pavimento, no qual se distribuem os ambientes: dois salões de festas, sanitários, restaurante, bar e boite.
O terceiro pavimento é acessado por uma escada que parte do bar. Nele encontram-se a sala da diretoria, a biblioteca, dois sanitários e um segundo salão de festas, resultado de uma adaptação posterior a sua inauguração, no lugar do terraço jardim original.

A decoração do edifício é minuciosa, com grande variedade de materiais e acessórios, possuindo, no entanto, uma forte e agradável unidade estilística. Chama a atenção, sobretudo, a decoração do salão nobre em tons de azul e branco com detalhes que se espalham pelos pilares, em um interessante jogo com o forro rebaixado em gesso, trabalhado também nas mesmas cores, com sancas que escondem a luz indireta, também presente em outros espaços.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

Tanto no projeto arquitetônico quanto nos detalhes da decoração ficam evidenciados os propósitos de uma representação da modernidade e sofisticação pelas quais as elites de Uberlândia ansiavam. O Clube ainda conserva um acervo original de mobiliário, luminárias e adornos da época de sua inauguração, sendo uma importante referência da arquitetura e da ambientação dos anos 1960, bem como da própria sociedade local.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

Hoje o edifício não mais é restrito aos sócios, seus salões são alugados para diversas festas, assim como o restaurante, o bar e a boite. Vale lembrar que o Uberlândia Clube trouxe como consequência mais próxima para a história social da cidade, a desativação da zona boêmia que existia no seu entorno, higienizando o espaço físico, sendo tal prática transferida para as imediações das avenidas Cesário Alvim com João Naves de Avila e Rondon Pacheco, conhecido também como “rua Uberaba”. Todavia, frente a valorização imobiliária, a partir da década de 1970, aquele espaço urbano foi reformulado.

Foto: Sandra Pacheco Freitas

 

Texto: Sandra Pacheco Freitas
Fotografa

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