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O poder do não para os filhos

Foto: Divulgação

O seu filho nasce e logo o reconhece como modelo a ser seguido. No primeiro sorriso que você dá a ele é retribuído imediatamente, demonstrando o primeiro sinal que já estão seguindo os seus passos. E assim vamos passando informações, manias, crenças e juízos de valor a todo instante e isso vai moldando a personalidade da criança.

A criança vem ao mundo pura, representando toda a beleza do ser humano, e assim age nos seus primeiros anos de vida quando começa o seu processo de aprendizagem que, no modelo atual, em geral, baseia-se na destruição da sua pureza.

É nessa etapa que criança entra num período de felicidade constante com o deslumbramento em relação a suas primeiras conquistas: andar, correr, falar as primeiras palavras e ser entendida, em vez do choro. É o início de uma experiência de entender o mundo e se fazer entendida por ele.

Quando a criança começa esse processo baseada na alegria, nós começamos o outro de anulação dos nossos filhos. Iniciamos o festival de “nãos” que serve para “educarmos”, que aprendemos com os nossos pais e esses, com seus avós.

“Ah! Porque criança NÃO pode fazer o que quiser”, já diriam nossos avós. E começamos com os famosos: “Não pegue isso”, “Não corra”, “Não vai para esse lado”, “Não pula aí”, “Não fala assim”, e assim por diante. Tudo para manter a paz da casa ou mesmo com a desculpa de que estamos educando os nossos filhos.

Enquanto a criança vai descobrindo as suas capacidades e desenvolvendo os seus comportamentos, desvendando de forma pura e natural o mundo que está a sua frente, nós vamos acabando com isso facilmente, negando a maioria das suas descobertas. Todos esses “nãos” vão entrando no inconsciente da criança, mostrando para ela que essa forma de ser, descobrir e agir não é muito legal.

Temos um exemplo clássico de quando a criança chega a casa e mostra para os pais alguma peripécia que aprendeu sozinha com amigos como, por exemplo: plantar bananeira, dar uma cambalhota, ou outro movimento desses; nesse mesmo instante que o movimento é feito ela é reprimida por diversos “nãos” seguidos por “ai, meu deus”, “nossa senhora” ou coisa do tipo.

A criança percebe isso como confuso, já que na rua a ela é reconhecida pela sua nova habilidade, pela capacidade de fazer algo que outras não conseguem, é elogiada, é considerada incrível perante os amigos. Já em casa é reprimida e leva uma bronca por ter desenvolvido algo novo.

E assim os nossos filhos vão percebendo que na maioria das vezes que desenvolvem ou fazem algo de forma natural, de acordo com as suas próprias vontades, acabam por ser reprimidos. Isso os leva a pensar que ficar feliz não é a melhor opção, ou mesmo que decidir sobre a própria vida NÃO é uma boa escolha.

Os ensinamentos que transmitimos geram uma transformação na criança de forma inconsciente, os quais ficam “guardados”, se tornando crenças que se refletem na pré-adolescência até a vida adulta. Essas crenças podem fazer com que essas crianças se transformem em seres humanos com problemas emocionais e que deixem de viver a vida.

É assim que começamos o processo de anulação emocional dos nossos filhos.

 

Texto: Leonardo Veloso
Especialista na relação entre Pais e Filhos
Autor do blog www.depaiprapais.com.br

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