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O tenente-coronel Marcus Vinícius Gomes destaca o resgate do civismo e o trabalho do Exército em Uberlândia

Foto: Divulgação

Na semana da Pátria, O JORNAL de Uberlândia entrevista o comandante do 36º Bimtz (Batalhão de Infantaria Motorizado), tenente-coronel Marcus Vinícius Gomes Bonifácio. Integrando as fileiras do Exército Brasileiro há 30 anos, o comandante destaca a importância dos atos cívicos, a aproximação da instituição com a comunidade como forma de cooperação com o desenvolvimento do Brasil e o resgate do respeito aos símbolos nacionais.

Em Uberlândia, no comando do batalhão desde o início do ano, o tenente-coronel Marcus Vinicius recebeu recentemente a medalha de 30 anos de serviços prestados ao Exército Brasileiro e a Comenda Augusto César, homenagem máxima de Uberlândia, a personalidades que têm prestado relevantes serviços à cidade. A comenda foi uma indicação do prefeito Odelmo Leão. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

No seu comando, o 36º Bimtz tem feito um trabalho de aproximação do Exército com a comunidade. Qual tem sido o objetivo de uma presença mais próxima da sociedade?

O objetivo de aproximar o Exército da comunidade é, principalmente, para que ela conheça um pouco das atividades que são desenvolvidas aqui no batalhão e colaborar com a parte social. Uma das missões constitucionais do Exército é cooperar com o desenvolvimento social e econômico. Nesse caso, o social é uma forma de colaborar na complementação moral e cívica, possibilitando uma troca de valores. Também, é uma experiência que as crianças vivenciam.

Os símbolos do País, como a bandeira e o hino nacional, estavam sempre presentes na população brasileira até os anos de 1960. Com o passar do tempo, houve uma diminuição dessa presença. O que o Exército tem feito em relação a isso?

A gente tem feito ações buscando resgatar esse civismo, esse amor à pátria, a busca desses valores. O 36º Bimtz tem um projeto chamado Escola de Brasilidade em que as crianças vêm aqui e cultuam os símbolos nacionais. Mais de 1,5 mil crianças já visitaram o batalhão.

Tivemos também o soldado por um dia na escola e oficinas que trataram sobre o tema civismo. Temos procurado estimular, inclusive dentro das escolas esse patriotismo. Nesse ano, recebemos 160 diretoras das escolas municipais, estimulando-as a também a realizar esse tipo de atividade nas escolas.

Por algum motivo, o culto aos símbolos nacionais foi se perdendo, entretanto temos observado um aumento gradativo, um resgate dessas atividades cívicas.

Na semana da pátria, o país passa por uma fase difícil. O Exército tem uma forte presença em todo o País. Como o senhor avalia o momento político atual?

O papel do Exército, nesse momento, é exatamente garantir o que já existe. Ou seja, a garantia dos poderes constitucionais. O Brasil tem encontrado uma série de dificuldades, mas tem o mais importante, que é buscado soluções. Mantendo as instituições funcionando.

Fortalecer o papel das instituições que já existem. O Congresso, o Senado, a Câmara dos Deputados, o Judiciário, que funcionam. Estas instituições estão funcionando e o papel das Forças Armadas é garantir que continuem funcionando, em que pese todas as dificuldades que estamos encontrando.

Quais são as ações a serem desenvolvidas pelo batalhão até o fim do ano em Uberlândia?

Nós temos algumas atividades, vamos continuar o projeto Escola de Brasilidade que é um projeto semanal. Temos algumas parcerias com a Futel (Fundação Uberlandense de Turismo Esporte e Lazer), como a Olimpíada dos Idosos. Vamos ter os Jogos Estudantis sendo realizados aqui no batalhão. Também teremos a corrida de aventura no dia 1º de outubro, é um esporte que estamos trazendo para Uberlândia.

Estamos desenvolvendo algumas outras parcerias, em uma delas temos a intenção de reunir os prefeitos da nossa região aqui no 36º Bimtz para conhecer um pouco mais do Exército. Além do 36ºBimtz, o 2º BFv (Batalhão Ferroviário de Araguari). Essas são algumas ideias que estamos trabalhando para desenvolver nos próximos meses como forma de aproximar o Exército da comunidade.

O senhor está no comando do batalhão, aqui em Uberlândia, desde o início do ano. Como tem sido esse trabalho na cidade?

Assumi o comando do 36ºBimtz no dia 20 de janeiro, estou no batalhão há cerca de oito meses. Nesse período, a gente vê uma ligação muito forte do batalhão com a sociedade uberlandense. Um carinho especial da sociedade. Isso é um dos motivos que nos leva a aproximar. Retribuir um pouco desse carinho que a cidade tem em particular com o 36ºBimtz, que é considerado o 36º de Uberlândia.

Quais os pontos que o senhor destaca nesses 30 anos de serviços ao Exército Brasileiro?

Comecei no Exército aqui em Minas Gerais, iniciei minha carreira no 12º Batalhão de Infantaria em Belo Horizonte. Servi na Brigada Paraquedista, em unidades de selva, na faixa de fronteira. Tive oportunidade de ser instrutor da escola de Educação Física do Exército durante quatro anos. Mais recentemente, fui comandante do curso de Infantaria da Academia Militar das Agulhas Negras. Também tive a oportunidade como tenente de participar de Missão de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) em Angola, no continente africano, em que fiquei por seis meses.

Qual a mensagem da Semana da Pátria que o senhor deixa à comunidade e aos leitores de O JORNAL de Uberlândia?

A mensagem da semana da Pátria que gostaria de deixar é que ela não pode ser entendida como uma semana das Forças Armadas e sim da sociedade. O Sete de Setembro é um ato cívico em que toda a sociedade tem que se envolver e nesse dia procurar refletir sobre o local onde mora, os valores que cultuam e a sua pátria.

O desfile de Sete de Setembro é visualizado muitas vezes como um desfile militar, mas ele tem que ser um desfile cívico. É o que acontece na maioria dos países que já tem essa tradição mais consolidada.

Texto: Leonardo Leal

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