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Musculação emagrece?

Foto: Divulgação


Olá, amigo leitor!

Você já ouviu alguém dizendo que não faz musculação, pois engorda? Conhece alguém que afirma que só consegue emagrecer se fizer exercícios aeróbicos, como a corrida no parque? Pois bem! Hoje comentaremos com vocês a posição da ciência em relação a esse tema tão importante para nossa saúde e tão controverso em nosso ciclo de amizades.

Emagrecer não é uma questão de matemática simples. Não se trata apenas de “fechar a boca” e gastar mais energia com exercícios mirabolantes. Emagrecer envolve uma mudança de atitudes e hábitos rumo a nossa saúde e bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já iniciou estudos multidisciplinares para melhor explicar a etiologia da obesidade e investigar as opções terapêuticas no tratamento que tragam resultados mais animadores. Atualmente cerca de 95% dos obesos fracassam nos programas de perda e manutenção do peso em suas dietas, voltando a engordar. Ao que tudo indica, emagrecer e manter o bom peso é sempre multifatorial; uma mudança genuína no estilo de vida.

E assim, voltamos a nossa questão: musculação emagrece ou engorda?

Para responder a essa pergunta devemos conhecer o metabolismo durante o exercício. Metabolismo é o conjunto de reações químicas que controlam nosso corpo durante o dia. Algumas reações são de síntese (armazenamento) e outras são de degradação (gasto). Geralmente durante o exercício degradamos nutrientes e durante a recuperação acontece a síntese.

Entretanto ao final do exercício o corpo permanece com o metabolismo elevado por algum tempo. Essa fase é denominada EPOC, sigla que advém do inglês Excess Post Exercise Oxygen Consumption ou, como traduzimos, consumo excessivo de oxigênio após o exercício (GAESSER e cols., 1984). Assim sendo, segundo as pesquisas apontam, é possível continuar gastando energia após os exercícios. Quanto maior a intensidade do esforço, maior será esse gasto ao final do seu treino.

Um importante estudo de Warren e cols. (2009) comparou situações de exercício bastante diferentes e o seu impacto sobre a perda de gordura após o exercício. Nesse estudo ficou claro que exercícios de longa duração gastam maiores quantidades de gordura que os exercícios de curta duração (mesmo se gastarem menos energia). Ficou evidente também que, após exercícios de alta intensidade, acontece maior consumo de gordura no repouso do que quando fazemos exercícios de baixa intensidade.

Outro interessante aspecto do estudo acima foi que exercícios intervalados (como os tiros de curta duração) gastam mais gordura do que os exercícios contínuos (corridas longas) de baixa intensidade. Børsheim e Bahr (2003) apontam que os exercícios resistidos, como a musculação, oferecem respostas semelhantes. Assim sendo, a musculação tem um componente semelhante aos exercícios intervalados de alta intensidade e gastam bastante gordura após o fim do treino.

Amigos, pratiquem exercícios físicos e obtenham saldos positivos em sua saúde! Emagrecer é apenas uma consequência. Os resultados vêm de uma mudança de atitude e postura diante dos nossos hábitos cotidianos.

Fiquem com Deus e um par de dumbells!


Referências:

BØRSHEIM, Elisabet; BAHR, Roald. Effect of exercise intensity, duration and mode on post-exercise oxygen consumption. Sports medicine, v. 33, n. 14, p. 1037-1060, 2003.

GAESSER, Glenn A.; BROOKS, CEORGE A. Metabolic bases of excess post-exercise oxygen. Medicine and science in sports and exercise, v. 16, n. 1, p. 29-43, 1984.

NISHIDA, Chizuru et al. The joint WHO/FAO expert consultation on diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: process, product and policy implications. Public health nutrition, v. 7, n. 1a, p. 245, 2004.

WARREN, Amy et al. Postexercise Fat Oxidation: Effect of Exercise Duration, Intensity, and Modality. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, v. 19, p. 607-623, 2009.

 

Texto: Eduardo Haddad

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