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Prefeitura e UFU afirmam que não tem condições de implantar o SAMU

Em nota, a secretaria estadual de Saúde afirmou que vem dialogando com todos os envolvidos desde 2013 e alguns aspectos serão esclarecidos na finalização dos trabalhos

Foto: Valter de Paula /PMU

O prefeito Odelmo Leão e o secretário de Saúde Gladstone Rodrigues se reuniram com representantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e do Hospital de Clínicas (HC-UFU) na manhã de segunda-feira (18), onde discutiram sobre a estrutura de atendimento à saúde e a dificuldade de implantação do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em Uberlândia.

Os participantes afirmaram ser favoráveis ao SAMU em Uberlândia e região, mas destacaram que não há estrutura física para aumentar os atendimentos nos hospitais. O reitor da UFU, Valder Steffen Júnior, disse que a universidade tem mantido o funcionamento do HC-UFU com muito esforço. “Temos 490 leitos ocupados dos 512 que dispomos. Essa pequena margem é para atender alguma emergência, como algum acidente grave em que a pessoa deve ser atendida imediatamente”, afirmou.

Steffen ressaltou que o HC-UFU é, atualmente, o maior hospital público do estado de Minas Gerais que atende 100% pelo SUS e caso a implantação do SAMU ocorresse, teria como impacto a falta de condições para o atendimento digno dos pacientes. “O funcionamento em rede é a maneira técnica de resolver esse problema. A universidade está à disposição para ajudar na construção de uma rede que possa dar suporte àquilo que pode ser resolvido nas prefeituras locais e aquilo que deve ser transportado, havendo uma necessidade, para Uberlândia. Porém, até o momento a UFU não foi chamada para conversar sobre a questão do SAMU tecnicamente”.

Segundo, Odelmo Leão, atualmente, há um déficit de 500 leitos em Uberlândia e 1 mil na região. “Nós não somos contra o SAMU. Mas é preciso entender que neste momento Uberlândia não tem estrutura física nem projeto econômico para sustentar essa estrutura. A discussão precisa ter envolvimento técnico, um projeto em rede bem estruturado e firmado”, afirmou Odelmo Leão.  Ele lembrou que os repasses atrasados na área de saúde para o hospital municipal do governo estadual atingem cerca de R$ 12 milhões.

Gladstone Rodrigues disse que participou de reuniões com o CIS TRI, em que destacou algumas questões envolvendo a cidade e que o município não está em condições de assumir o compromisso com a implantação do SAMU uma vez que há débitos de R$ 800 mil do ano passado e mais R$ 1,5 milhão relativo a esse ano. Ele ressaltou que há outras dívidas e assistências a serem priorizadas.

Secretaria de Estado da Saúde afirma que tem dialogado

Em nota, a (SES) Secretaria de Estado da Saúde respondeu os questionamentos apresentados pela prefeitura de Uberlândia e pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia) . A SES-MG afirmou que, “o SAMU é um dos componentes da Rede de Urgência e Emergência, que contempla também as (UPAs) Unidades de Pronto Atendimento e outros serviços com funcionamento 24 horas, portas hospitalares e atenção às urgências – SOS Emergências; enfermarias de retaguarda e unidades de cuidados intensivos, inovações tecnológicas nas linhas de cuidado prioritárias, e; Atenção Domiciliar – Melhor em Casa”.

“Desde o processo de implantação do SAMU na Região Ampliada de Saúde Triângulo Norte em 2013, a SES-MG vem dialogando com os atores envolvidos no processo, como o CIS TRI (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Triângulo Norte), gestores, prestadores e Corpo de Bombeiros. No entanto, para que o serviço funcione de forma estruturada, é necessária a organização assistencial por meio do Plano de Ação Regional”.

“Assim, o Plano de Ação Regional está sendo construído na Região Ampliada para estruturar a Rede de Urgência e Emergência. Cabe ressaltar que todos os hospitais que atendem o SUS no Triângulo Norte foram objetos de verificações locais (inclusive o HC-UFU) pela equipe técnica juntamente com os gestores com o objetivo de verificar o grau de capacidade e complexidade dos serviços e disponibilidade assistencial. Já se encontra agendada a Oficina do Plano de Ação Regional da Rede de Urgência e Emergência do Triângulo Norte, na qual serão definidas as questões junto aos gestores e prestadores locais. A expectativa da área técnica é de que todos os municípios e prestadores, inclusive Uberlândia e o HC-UFU, participem ativamente do processo, considerando a relevância assistencial para a região”.

Déficit de leitos e débitos com o município também são abordados

“Sobre o déficit de leitos mencionados, a SES-MG esclarece que o quantitativo, bem como a verificação da necessidade ou déficit de leitos só poderá ser de maneira conclusiva após a finalização dos trabalhos que se encontram em pleno andamento pela equipe técnica da secretaria em conjunto com as Regionais de Saúde de Uberlândia e Ituiutaba. Nestes termos, qualquer posicionamento sobre a atual situação do número de leitos da região poderá não refletir a realidade ou criar hipóteses não sustentadas tecnicamente”.

“Em relação aos questionamentos de débitos existentes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais com os municípios, a mesma reconhece que os mesmos existem. Entretanto, a SES-MG tem trabalhado incessantemente para que a situação seja regularizada o quanto antes, considerando a disponibilidade financeira. Nenhum desses débitos estão relacionados à Rede de Urgência e Emergência que está em discussão no Plano de Ação Regional do Triângulo Norte”.

Texto: Leonardo Leal

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