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A crise que derrubou a câmara

Foto: Divulgação

Foi o seguinte: no dia 7 de abril de 1896 foram realizadas as eleições para o Conselho Distrital do município. Foram eleitos Antônio Alves Pereira, Carlos Ferreira da Rocha e Francisco da Fonseca e Silva. Vigilato Gonçalves de Andrade, presidente da Seção Eleitoral, percebendo que os seus correligionários perderiam as eleições, como de fato perderam, espertamente, recusou-se a assumir os trabalhos, mas permaneceu no local acompanhando todo o desenrolar do ato cívico. Assumiu um substituto cujo nome não ficou registrado. Tudo cartas marcadas. Muita gente no recinto aguardando. Ao final, Vigilato foi aplaudido calorosamente e cumprimentado por seus correligionários porque, estando presente e não assumindo a presidência, a eleição seria anulada.

No dia 6 de junho, a Câmara reuniu-se para reconhecer os poderes dos membros eleitos. Num contragolpe, a Comissão Especial, composta de três vereadores, que julgaria a validade das eleições, aprovou-a, contra as intenções do Vigilato. Dois votaram pela validade e posse e um contra, alegando exatamente o que o Vigilato pretendia: o presidente estava presente e não assumiu. Percebendo que a Câmara poderia derrubar o parecer da comissão e cancelar as eleições, o vereador suplente em exercício, José Teixeira de Sant’Anna, antes da decisão do plenário, requereu que Vigilato fosse responsabilizado criminalmente se as eleições fossem anuladas porque ele era o causador consciente daquela confusão. Era um meio de forçar a manutenção da validade do pleito.

Acontece que a decisão da Comissão Especial foi colocada em votação, foi derrubada e as eleições, anuladas, como queriam os golpistas. Manoel Alves dos Santos, que tinha votado pela validade do pleito como membro da Comissão Especial, dizendo-se ofendido pela derrota injusta e ilegal e que a minoria não podia mesmo ganhar, nunca, renunciou ao mandato, de viva voz, e retirou-se da Câmara. Em seguida, tomaram a mesma atitude os vereadores Arlindo Teixeira, Vieira da Motta e Severiano Rodrigues da Cunha.

Dessa data, 6 de junho, até primeiro de outubro, não houve mais reuniões por falta de quórum. Paulatinamente foram entrando renúncias, inclusive de suplentes, de tal forma que nesse intervalo elas subiram das cinco iniciais a treze!

Nesse dia, primeiro de outubro, realizaram-se novas eleições para substitutos dos vereadores renunciatórios, inclusive suplentes, e foi a nova Câmara que cuidou do abacaxi.

 

Texto: Antônio Pereira da Silva

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