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O samurai e o Executivo

A competitividade é o escopo do executivo e do lutador de arte marcial

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Podemos estabelecer uma relação, uma comparação entre o executivo de uma empresa e um lutador de artes marciais, iniciando pelas crenças fundamentadas deste na competição com lealdade, convivência com adversários/concorrentes, assim como elaboração de alianças estratégicas quando é necessário organizar feiras/torneios para divulgar a atividade ou a prática.

Na formação de um executivo e de um lutador há também uma grande semelhança. Na academia, como nas grandes corporações, o primeiro estagio é teórico e prática repetitiva, sem muita criatividade, o segundo estágio é o da busca do conhecimento, com economia de movimentos físicos. O terceiro estágio é o da maturidade, idéias, uso da inteligência. O movimento físico só é usado para criatividade. O quarto e último estágio é o da confiança, crença da sabedoria, da estratégia, não predomina preocupação física, e sim o da energia de ação e de transcendência. Chega-se a vencer sem lutar. Atinge-se a meta final, ou seja, o concorrente entrega a luta por reconhecer a superioridade do opositor.

A competitividade é o escopo do executivo e do lutador de arte marcial – o que exige um treinamento constante durante toda a sua vida. O vencer passa a ser uma necessidade de sobrevivência, de glória e de ideal de vida. Para os antigos Samurais, era essa a forma de defender seu país. Para o executivo é gerar riquezas, empregos e atender bem a uma comunidade com produtos e serviços justos, ou seja, produzidos corretamente.

Mantendo a relação, Uberlândia tem potencial na área empresarial e no karatê, e podemos afirmar que em proporção ao número de habitantes é a cidade que tem o maior número e melhores karatecas do Brasil, as demais artes marciais como judô, aikidô, jiu-jitsu, capoeira, kicboxing têm crescido acima da média nacional. Em Uberlândia, as artes marciais foram bem aceitas. Este é um fator positivo, porque quem luta não briga, a sua luta, sua energia é gasta no dojo que é considerado um local sagrado. O karateca é igual ao executivo – a sua vitória vem da estratégia e não do uso da força física.

Esse fator positivo confirma nossa afirmação. Não há brigas nas portas das academias. O respeito à hierarquia são valores cultivados pelos seus praticantes e muitos são os executivos e homens públicos que praticam arte marcial. Já tivemos presidente da república, vice, ministros e muitos ocupantes de outros cargos que demonstram orgulho em dizer que são praticantes de uma arte marcial.

As artes marciais são positivas para o empreendedor e para o executivo. Trata-se de uma atividade que tem resistido no tempo, tem-se modernizado com uso de equipamentos e regras de competição, mas a essência tem-se mantido. Para se chegar a faixa preta, por exemplo, tem-se que ter espírito de guerreiro, como para ser chegar a ser executivo as provas são muitas, não basta querer, tem-se que lutar para se chegar ao topo e quando se chega tem-se que aumentar o ritmo para manter o respeito e conseguir cumprir as metas.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão  

 

 

 

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