Destaque Editorial Expresso

A crise, empresas e prefeituras ainda no meio do século XX

A grande dificuldade para mudar na amplitude necessária é a barreira cultural

Foto: Pixabay

A natureza é a principal mestra das pobres criaturas humanas. Em cada estação do ano, há bons acontecimentos, mas para algumas partes as mudanças são maléficas. Na estação das chuvas, quem está na agricultura comemora, quem está na área pública reclama das estradas e dos buracos nas ruas.

Na área empresarial não é muito diferente: quando há alta do dólar, beneficia-se quem exporta e reclamam os importadores, mas, no fim, normalmente é uma conta de 0 a 0, um compensa o outro. É muito normal em tempos difíceis afirmar-se que sempre alguém ganha nas crises. É verdade, mas temos que ter cuidado, porque a questão é quem perde e o que perde.

Quando a crise é sistêmica – e é o nosso caso: econômica, social e ética -, há mais perdedores do que ganhadores. O preço está sendo alto. O que nos deixa entristecidos é que os causadores deveriam ser os responsáveis pela proteção do sistema – na nossa realidade, são os agentes políticos e alguns empresários que agiram desconsiderando a ética.

A reclamação por falta de recursos é geral, tanto na área pública, como na iniciativa privada. Está difícil avaliar a profundidade de cada um desses aspectos, mas algo é certo: nesta situação, a palavra da moda na área de gestão é válida, a “disrupção”. É necessário não apenas rever as estratégias, mas também o modelo das empresas e o da máquina pública.

A grande dificuldade para mudar na amplitude necessária é a barreira cultural. Lideranças que agem com valores do passado, defendendo estruturas de poder do século passado, velhos líderes, velhos modelos… só ouvem música dos anos setenta, são boas, mas o ritmo nas organizações de alto desempenho é outro.

Será que, nas médias e grandes empresas e prefeituras, os sistemas estão interligados, as informações estão em tempo real? Ferramentas para isso já existem há mais de vinte anos. Pelo menos estão pensando em ter escolas corporativas, para preparar as pessoas antes da demanda? Se as respostas forem “não”, ainda estão no meio do século passado.

Editorial – O JORNAL de Uberlândia

 

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