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A Cruz do Anhanguera

O monumento se encontra conservado até os dias de hoje

Foto: Divulgação

O menino Bartolomeu Bueno da Silva acompanhou seu pai, que também se chamava Bartolomeu Bueno da Silva, ao sertão dos Goiás, em 1682, onde o velho descobriu fartas minas de ouro. Para encontrá-las, ameaçou os indígenas de queimar seus rios, pondo fogo num prato com aguardente. Foi chamado de Anhanguera (demônio) pelos índios.

Quarenta anos depois, o menino tentou refazer o caminho do pai, perdeu-se, reencontrou-se e iniciou a colonização da região. Nos sertões, Bueno fundou, à margem do Rio Vermelho, um arraial que veio a se tornar a capital da Província e, depois, do Estado, Vila Boa, hoje, Goiás.

Sua trajetória, que ficou conhecida como o “Caminho do Anhanguera”, foi a seguinte: atravessou o Rio Grande, seguiu rumo à região onde futuramente seria Uberaba, chegou ao Rio Uberabinha e atravessou-o num ponto chamado Roncador, que dá vau. Daí seguiu em direção ao Rio Araguari e atravessou-o no lugar chamado posteriormente Porto do Registro; passou por onde se ergueria Indianópolis, chegou ao Rio das Pedras (Cascalho Rico), de onde seguiu para o Porto da Mão de Pau, onde hoje está o município de Anhanguera, às margens do Rio Paranaíba.

Do lado goiano, Bartolomeu filho, para marcar sua passagem pelo lugar, ergueu um grande cruzeiro que ficou conhecido como a “Cruz do Anhanguera”. Esse monumento permaneceu por muito tempo à beira do Paranaíba sem receber qualquer cuidado.

Com o passar do tempo a cruz começou a se deteriorar e estaria destruída e desaparecida se não fosse a ação de alguns maçons de Catalão e Uberabinha, entre eles o juiz de Direito dr. Luiz do Couto, o rábula e professor Francelino Cardoso, o caixeiro viajante Ladário Cardoso e o comerciante José Rodrigues da Silva. Era 1914. Esses “irmãos” recolheram o cruzeiro e o levaram para Catalão, de onde Ladário o enviou à capital velha de Goiás, acompanhado de um ofício às autoridades esclarecendo seus zelos. Lá o monumento se encontra conservado até os dias de hoje.

 

Texto: Antônio Pereira da Silva

(Fontes: Rocha Pombo, Pedro Taques, Tito Teixeira)

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