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Exposição do MAM

Criança que tocou o artista não tocou sua genitália

Foto: Pixabay

Gente, quanta histeria por causa dessa exposição do MAM! O que é que está acontecendo com as pessoas? Perderam o prumo com a chegada do Século XXI?

Eu não levaria a minha neta para ver essa exposição. Mas EU gostaria de ter ido a essa performance, e não quero que ninguém me roube o direito de ter acesso a qualquer manifestação cultural. E não veria problema algum se minhas filhas, que já são donas do seu próprio nariz, quisessem assistir à exposição.

Talvez a nudez do artista me incomodasse. Pode ser que eu achasse aquilo desnecessário e apelativo. Mas não é justamente esse o mais importante papel de uma manifestação artísticas – incomodar as pessoas, mexer com a gente?

Aquilo não era uma suruba pedófila. Era um nu como qualquer outro, não havia nada de bizarro ou sexual na performance. E havia avisos claros do que aconteceria ali, num ambiente fechado e de acesso controlado.
A entrada não era obrigatória. Ninguém era obrigado a assistir.

Será que essas pessoas que grasnam feito gralhas psicóticas pela internet nunca viram ninguém pelado? Nunca viram nada parecido? Uma representação como o Davi, de Michelangelo? Pois se as senhoras histéricas que bradam contra o artista nu do MAM fossem fazer um passeio em Florença, certamente tramariam um movimento para retirar a réplica do Davi da Piazza La Signoria. Os museus europeus, todos eles seriam fechados e incendiados por essa nova forma de inquisição em rede.

A criança que tocou o artista não tocou sua genitália. Talvez porque provavelmente a perversidade e a depravação estejam dentro da cabeça dos que acharam que a performance era um idílio à pedofilia.

Você já parou pra pensar no que o nu representa para uma criança ? Pode não representar absolutamente nada. E muitas famílias tratam a nudez com naturalidade – vão a praias de nudismo, ficam nuas em casa etc etc etc.

Pense nas tribos amazônicas. Onde as crianças, os adultos e os anciãos andam peladões para lá e para cá. O frêmito histérico que se formou em torno da exposição do MAM não tardaria abominar os caciques e xamãs pela indecência dessas culturais ancestrais.

“Menas”, gente. Como bem diria o filósofo Pepeu Gomes, o mal não é o que está na cabeça, é o que sai da boca do homem.

Texto: Fabio Pannunzio
www.pannunzio.com.br/

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