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Bye bye Tom and Santa

Tom Petty tem tantos feitos que deve ser lembrado por uma década inteira

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Na última segunda-feira, perdemos um dos mais bem sucedidos artistas do rock americano: Tom Petty. Tinha praticamente finalizado o texto sobre o cara, quando recebi a notícia do falecimento de minha avó materna Anna Roberta Silva Souza. Evidentemente engavetei o rascunho e fui até Iturama, no Pontal do Triângulo, cerca de 240 km de Uberlândia, para me despedir da Dona Santa (como era conhecida na cidade).

Como já havia pulicado na própria segunda, horas antes do falecimento de Petty, e o meu compromisso com este jornal é um texto por semana, logo pensei em abandonar a ideia e pensar numa nova pauta. Ou mesmo em concluir o artigo e publica-lo na próxima oportunidade. Não optei por nenhuma das opções. Descartei a primeira porque o artista em questão não é qualquer um. E desisti da segunda por talvez infringir um princípio tolo do jornalismo: “a notícia vai ficar velha”. Ora, bolas! Estamos falando de Tom Petty. Um artista que pelos feitos deve ser citado todos os dias por uma década inteira.

O cantor norte-americano vendeu mais de 80 milhões de cópias, ganhou três Grammy: um com o Travelling Wilburys, um com sua performance solo e outro com os Heartbreakers. Ele entrou para o Hall da Fama do Rock em 2002 e foi homenageado no Billboard Music Awards como o “Artista do Século”.

Foi integrante do supergrupo Travelling Wilburys, que contava com o ex-Beatle George Harrison, Jeff Lyne, Bob Dylan e Roy Orbison (o melhor cantor de todos os tempos, para nada mais nada menos que Elvis Presley). Fala sério, o cara que ganha tantos prêmios e é convidado a participar de uma banda com essa turma só pode ser F%#@&!

Apesar de ser famoso no mundo todo, muita gente por aqui não o conhece. Às vezes pelo fato de nunca ter se apresentado no Brasil. Mas garanto que incontáveis brasileiros conhecem suas músicas e não ligam o nome a pessoa. Por exemplo, no filme “Jerry Maguire: A Grande Virada”, Tom Cruise vive Jerry Maguire, um agente de atletas. O personagem sai do céu direto para o inferno ao ser demitido por falar o que pensa. Sem emprego, a mulher também o abandona. Ao tentar dar a volta por cima, ele faz um possível acordo com uma das estrelas da NFL. Entusiasmado, Maguire sai dirigindo cheio de esperança enquanto troca as estações de rádio na procura da trilha sonora perfeita para o momento. Até que se depara com “Free Fallin”, de Tom Petty, e passa a cantar loucamente. A cena é de arrepiar! Quem assistiu não esquece, e quem não viu, assista.

Além de “Free Fallin”, entre suas outras canções mais conhecidas também estão “American Girl”, “Stop draggin’ my heart around”, “Listen to hear heart” e “Mary Jane’s last dance”. Uma melhor que a outra.

Resumindo. Petty é como a minha e a sua avó. Nos emociona, nos ensina, nos dão o respeito, nos faz reviver lembranças antes apagadas, nos faz chorar e pensar o quanto tempo perdemos por ficar longe de quem mais amamos. Ou seja, são bons demais para estar entre a gente.

Independentemente do meu cansaço (viagem bate e volta), dos perrengues (noite mal dormida) e estado emocional, insisti em me dedicar a este texto porque Tom Petty merece ser lembrado. E minha vozinha também.

Montei uma playlist com as minhas preferidas de Tom Petty. Aumente o volume e cante como Jerry Maguire.

Texto: Anderson Tissa

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