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Drucker, o maior pensador

Sem medo de cometer nenhuma injustiça, podemos afirmar que o Prof. Peter Drucker foi o maior pensador do mundo corporativo.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

O Prof. Drucker, aos 95 anos de idade, no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Ele foi, com certeza, o maior pensador na área organizacional. Não há nenhum administrador e professor desta área que não usou no mínimo um dos seus livros como referência em seu trabalho ou em suas aulas.

Em qualquer palestra de administração, é normal citar mais de uma vez os conceitos deste iluminado professor. Nas bibliografias, nas pesquisas, nas publicações é uma raridade não encontramos o seu nome.

Drucker emitia conceitos fortes, que deixava por muito tempo sem resposta ou sob forte observação, citando apenas três: 1- “Daqui a trinta anos, as grandes companhias serão uma relíquia. Eu considero a Universidade Americana dos últimos 40 anos um fracasso. ”; 2- “Há 23 anos ensino em programas de MBA e tudo me parece uma grande perda de tempo”. Falta a eles o background e a experiência. Você pode ensiná-los habilidades – contando com as que você possui – mas nunca poderá ensiná-los a administrar. ”; 3- “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”.

Tive oportunidade de fazer um seminário com Drucker em 1994, organizado pela HSM em São Paulo. Fiquei, na época, impressionado com a sua disposição – na ocasião já contava com 86 anos, ficou em pé durante seis horas, e após este tempo ficou a disposição para respondeu perguntas, com o semblante e o entusiasmo de um jovem professor. Acredito que a confiança no que estava dizendo era o fator responsável por torná-lo tão lúcido, seguro e disposto a continuar até quando os participantes fossem questionados.

“Escreveu 35 livros, a maioria considerados fundamentais para os administradores, o último, em co-autoria com Joseph Maciariello. O grande desafio para todos da área apesar de sua adversidade e riqueza é encontrar algo que o grande mestre não tenha abordado.

Uma das suas últimas preocupações foi sobre a importância de os executivos atuarem no Terceiro Setor. Este tema tem assumido um espaço muito grande nas empresas brasileiras e nas escolas de administração que não se preocupam apenas com o lado comercial da atividade.

Este brilhante professor, que não aceitava ser chamado de visionário, deixou um legado para empresas e escolas de administração e cursos afins que nenhum outro deixou até agora, e mais, o que deixou escrito será matéria de muitos estudos e debates, por muito tempo, cujo horizonte ninguém arrisca determinar.

Terminamos com uma de suas mais contundentes posições: em sua visão, administração não é arte nem ciência, mas prática. Deve ser medida não por condecorações acadêmicas, mas por resultados.

Texto: Hélio Mendes
Consultor e Prof. de Planejamento Estratégico e Gestão

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