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A lição de Obama

O ex-presidente ressaltou que um princípio do Estado de Direito é o dos líderes políticos trabalharem para os cidadãos e não o contrário.

Foto: Reprodução

Num momento em que o Brasil passa por uma crise de lideranças na política, a visita do ex-presidente americano Barack Obama ao país é um alento de esperança na redução das diferenças. Ele veio ao Brasil na semana passada participar de um fórum para empresários, promovido pelo jornal Valor Econômico. Sua mensagem foi clara ao defender os valores do pluralismo, da tolerância e do Estado de Direito.

O ex-presidente ressaltou que o princípio do Estado de Direito é de os líderes políticos trabalharem para os cidadãos e não o contrário. “Se os políticos se enriquecem à custa do povo, se há corrupção, favoritismo e falta de transparência para certos grupos, pessoas ou negócios, eles precisam ser responsabilizados”.

Ao fazer uma autoavaliação dos oito anos de governo, o ex-presidente destacou as conquistas na área de saúde para a população e a política externa, principalmente em relação ao Irã. Disse que o maior arrependimento foi não ter sido capaz de fazer a ponte entre as diferenças que estavam emergindo na política.

Novas tecnologias

O ex-presidente ressaltou que as novas tecnologias estão mudando a forma como as pessoas consomem informação. Isso tem feito com que os indivíduos passem a se agrupar em tribos, vivendo em bolhas. Assim, passam a escutar somente aqueles que pensam da mesma forma. “Ficamos tão confiantes em nossas crenças que temos a tendência de filtrar informações que não se ajustam às nossas opiniões”, afirmou.

Obama reconheceu que a política na América do Norte não tem reconciliado as diferenças, aspecto necessário no processo democrático. Ele lembrou que a democracia é o melhor sistema político, todavia exige um investimento de cada um como cidadão.

Cooperação Internacional

A importância da cooperação internacional também foi um dos aspectos abordados por Obama em sua palestra. Ele lembrou a questão das mudanças climáticas e afirmou que no seu governo conseguiu provar que o progresso econômico e a proteção ambiental não estão em conflito, mas são complementares. Exemplificou com o aumento no país em três vezes da produção eólica e em dez vezes a produção por energia solar. Apesar dos avanços nesse campo, Obama reconheceu que um trabalho em conjunto com outras nações é necessário para a redução das emissões de carbono.

 

Texto: Leonardo Leal

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