Destaque Entrevista Expresso

No dia do Professor, docentes relatam os desafios e as perspectivas da profissão.

Diferenças e semelhanças valorizam o ato de ensinar de uma profissão que deixa lembranças marcantes na vida de todos os alunos

O aprendizado na sala de aula está marcado na lembrança de todas as profissões. O Dia do Professor, comemorado neste domingo (15), é uma forma de reconhecimento do trabalho deste profissional. Docentes com experiência do ensino fundamental ao superior conversaram com a reportagem d’O JORNAL de Uberlândia, sobre os atuais desafios e perspectivas da profissão.

 

Foto: arquivo pessoal

A professora Kênia Mendonça Diniz que leciona disciplinas de Inglês, Espanhol e Português do ensino fundamental ao superior destacou que o desafio é atrelar o conhecimento técnico da formação com as diferentes realidades de cada estudante. “A formação técnica para mim hoje, é uma das questões mais tranquilas, se o professor domina, não há nenhum problema. Agora, a questão da formação humana desse aluno; ela é mais complexa, porque temos um público grande em sala de aula com diferentes perfis psicológicos que lidamos no dia a dia”, diz.

Ao trabalhar com diferentes frentes de ensino, a docente lembra-se de um conceito que aprendeu com o professor João Bosco da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) relacionado à sensibilização linguística. Mostrando ao aluno que o que ele aprende vai além da sala de aula. Outro recurso que ela faz uso é trabalhar o conteúdo a partir de séries, filmes e músicas que agradam aos estudantes.

 

 

Foto: arquivo pessoal

Já, o professor de História Renan Fernandes afirma que a profissão apresenta desafios novos e antigos. “Com a incorporação de novos locais de conhecimento (redes sociais, sites, canais de vídeos), o professor se tornou uma dentre tantas outras vias de acesso à educação. Embora persista como a única fonte formal, é inegável a necessidade de se adaptar às novas tecnologias”.

Para Fernandes, a escola está mais viva do que nunca e reafirma seu papel na construção de uma perspectiva crítica e na formação da cidadania. “Recentemente, ela se tornou palco para discussões importantes como as questões de gênero e orientação sexual e a escola sem partido”.

 

 

 

 

Foto: Leonardo Leal

Na perspectiva da professora Carla Tavares, que leciona disciplinas de Inglês no curso de Letras da UFU, o professor não é mais o detentor do saber. “Ao mesmo tempo em que isso é um desafio para quem já está na carreira há mais tempo é também uma vantagem, porque te convida a pensar em outras saídas, em outras propostas. Nessa possibilidade de funcionar, de atuar mais como esse mediador e facilitador entre o sujeito e o saber que precisa ser demandado em uma relação pedagógica”, afirma.

Carla Tavares destaca também dois outros desafios, o fato do professor assumir o seu papel como docente e não ter que assumir papéis de pai ou mãe que a família e a sociedade atribuem a ele. E a relação hierárquica de assimetria entre professor e aluno. Não necessariamente autoritário, mas de respeito pela parcela de conhecimento e responsabilidade que o professor detém.

Apesar das diferentes visões, o fator em comum apresentado pelos entrevistados foi amor pela profissão, os estímulos proporcionados pelos estudantes no processo de aprendizagem e a estratégia de criar pontes entre o conhecimento e a experiência docente com a realidade do aluno. Diferenças e semelhanças que valorizam o ato de ensinar.

 

Texto: Leonardo Leal

Notícias relacionadas