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O Ouro soterrado sob o Diamante Terra

O Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual

Foto: Divulgação

A definição de sustentabilidade da ONU, nos remete que, “O Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”.

Baseado neste conceito de extrema importância, para que possamos ter continuidade da vida no planeta de terra, em harmonia com as fontes de recursos, vamos falar um pouco sobre um dos braços deste assunto, os resíduos sólidos, especificamente os resíduos gerados dos equipamentos elétricos e eletrônicos, também conhecido como lixo eletroeletrônico.

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Todo e qualquer equipamento que funcione com energia elétrica, seja, plugando na tomada ou via baterias, ao se danificar ou ficar em desuso se torna um resíduo eletroeletrônico e por conter em sua composição metais pesados, se descartados de maneira incorreta, no meio ambiente, podem contaminar o solo e as águas, e estas substâncias ( metais pesados), são extremamente nocivas a vida humana e animal do planeta, porque nossos organismos não possuem condições de elimina-los de maneira natural, e sendo assim, contido em excesso em nosso corpo, podem trazer doenças graves que vão de hiper tensão arterial aos mais diversos tipos de Câncer.

Podemos aprofundar mais nestes perigos em outro momento, mas neste texto de hoje, iremos focar nosso conhecimento em outro olhar, dentre estes metais pesados, as placas de equipamentos eletroeletrônicos, possuem metais nobres para condução da corrente elétrica, tais como Ouro, Prata, Cobre e Paládio.

Segundo o último relatório feito em 2009 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a cada ano, um único brasileiro descarta em média 0,5 kg de lixo eletrônico referente a computadores pessoais.

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A última estimativa, em 2016, é de 1,2 milhão de toneladas de lixo eletroeletrônico é gerada por ano no Brasil, lideramos a lista dos países emergentes na geração deste tipo de resíduo.

É aqui que queremos focar nosso olhar neste momento, vejamos.

Um artigo divulgado pela United Nations University (UNU) em parceria com a Global e-Sustainability Initiative (GeSI) ressalta que mais de 21 bilhões de dólares em ouro e prata são investidos na produção de equipamentos eletroeletrônicos, e a maior parte desses metais preciosos é desperdiçada – apenas 15% do ouro e da prata nesses equipamentos são reciclados. As chamadas minas urbanas de lixo eletrônico contêm uma quantidade de metais preciosos 50 vezes maior do que as minas encontradas sob o solo.

A proporção de metais valiosos no lixo eletrônico chega a ser dezenas de vezes maior do que na natureza. As minas da AngloGold Ashanti, que estão entre as principais do mundo, por exemplo, rendem 8 gramas de ouro em média para cada tonelada de material escavado. Enquanto isso, a mesma quantidade de resíduos eletrônicos fornece entre 200g e 300g de ouro.

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No entanto no Brasil, não temos nenhuma unidade industrial disto que chamo de mineração reversa, o que temos até o momento é uma unidade piloto em testes, na Escola Politécnica (Poli) da USP, liderada pelo engenheiro Marcos Paulo Kohler Caldas, destinada a extração da Prata, mas em prática, ainda todo material coletado, que está bem abaixo do esperado, e é vendido como sucata para países como Japão, Cingapura, Holanda e China.

O brasil possui uma Lei, a chamada PNRS, Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei 12305, que determina como este processo deveria funcionar, e dentre isto a responsabilidade dos órgãos públicos, dos fabricantes, comerciantes e usuários, no entanto como é de se esperar, pouco ou quase nada desta lei ainda está sendo cumprida, em especial pelos fabricantes e poder público.

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Já podemos chegar a pergunta necessária para este texto de hoje.

Quais argumentos poderiam nos convencer de que é necessário liberar a mineração de mais jazidas de Ouro em território da floresta amazônica, ou em qualquer outra jazida no território brasileiro?

Enquanto é sabido que podemos retirar mais Ouro do Lixo Eletroeletrônico, do que na extração deste metal no solo

Ou seja, de fato estamos soterrando Ouro embaixo do diamante Terra.

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Texto: Waschington Luís da Cunha (Pacha Runa)
Empresário e Técnico eletroeletrônico
Idealizador do projeto E-descarte, Sustentabilidade Digital.

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