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Futebol e sua tradição!

Nos jogos do Verdão, geralmente chego bem mais cedo ao estádio. Muitos amigos vêm de fora e, mesmo as equipes adversárias, é normal precisarem de algum favor.

Foto: Divulgação

Ao sentar-me nas cativas, logo aparece um companheiro para um dedo de prosa, ou da imprensa, ou um torcedor comum; na maioria jovens, e o forte deles é fazer perguntas sem censuras. As mais corriqueiras são para querer comparar o futebol de hoje e o de ontem. Sempre jogam uma casca de banana, para os mais velhos, com suas pernas já enfraquecidas pelo tempo, escorregarem, rsrsrs.

Normalmente afirmo que o futebol no passado era bem romântico. A galera mais ficava de pé do que sentada. E não havia a torcida uniformizada.

No Juca Ribeiro, por exemplo, um campo apertado, as equipes de cara entravam no gramado armadas de quatro volantes brucutus limitados e com caras de poucos amigos. Uma maneira de intimidar os franzinos, habilidosos e ousados atacantes esmeraldinos. Um empatezinho para eles seria uma glória.

Nessa altura, o Juquinha estava lotado. Se alguém quisesse trocar uma ideia, teria que sair do ambiente. Não havia espaço nem para isso. O apaixonante do esporte-rei é que quando os talentosos mágicos Fazendeiro, Reis, Quinzito ou Zinho amansavam a redonda nos pés, com seus malabarismos e dribles sutis, os quatro camisas gigantes, com apenas uns gingados, caíam como pedras de dominós desgovernadas. A torcida ficava louca de felicidade. A impressão é de que todos curtiam um belo sonho interminável.

O tempo passou. Nossa cidade seguiu o progresso. As novas gerações exigiram modernidade. E o prefeito construiu o Parque do Sabiá. Nosso Verdão saiu de uma cabana e foi para um palacete. Adaptar-se a essa vida de rico não é fácil.

Misturada nesse bom pacote, veio a devastadora Lei Pelé, que arrebentou com os pequenos e encheu os bolsos dos empresários.

Como o homem é um produto do meio, aprendeu-se a conviver com as inovações.

No futebol moderno, o talento foi substituído pelo jogador robô. Até sua massa cinzenta foi trocada por músculos. Os poucos talentos existentes valem milhões ou bilhões. São peças raras, quase santidades!

Hoje o profissional da bola corre até 15 quilômetros num jogo. Sem criatividade, é desumano. Acima de seus limites de resistência. Não arrisca uma jogada de criação, com receio de errar. As equipes jogam no equívoco do oponente para, num contra-ataque rápido e mortal, liquidar o confronto.

Temos a impressão de que os profissionais da bola entram nas quatro linhas hipnotizados, com um grilinho martelando em suas mentes: marcar, marcar, marcar!

Às vezes, talvez pelo DNA do passado, notamos alguns lampejos bons nos gramados. No último jogo Vasco x Botafogo, um atleta tentou dar uma lambreta. Pensei que o Maracanã viesse a desabar, diante do tamanho do frisson do povão. Atônitos, os adversários queriam agredir o artista da proeza, o que achei um absurdo.

Com todas essas transformações, sou otimista. Noto grandes equipes surgindo do interior. Aos poucos, ganham seu espaço no universo futebolístico. Isso é bom. Novas oportunidades aparecerão aos jovens garotos de hoje.

A alegria de nosso povo continuará brilhando nos seus corações!

 

Texto: Lucimar César

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