Cidade Destaque Expresso

Se não investirmos em ciência, vamos perder o rumo da história, diz matemático…

O futuro do Brasil depende de investimentos no brilhantismo, na criatividade e na produtividade dos jovens cientistas.

Matemático Jacob Palis é homenageado na 14a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Fonte: Ascom/MCTIC

O futuro do Brasil depende de investimentos no brilhantismo, na criatividade e na produtividade dos jovens cientistas. As palavras são do matemático Jacob Palis, homenageado da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2017), durante solenidade em Brasília, nesta segunda-feira (23), no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

“Divulgar a ciência é fundamental”, acrescentou Palis, acerca do papel da SNCT. “O país já tem recursos humanos muito respeitados, apreciáveis. Então, não podemos retroceder na história, porque a ciência é o motor do nosso desenvolvimento. Qualquer esforço a favor da ciência é essencial para o Brasil. E certamente eu sou um soldado dessa campanha. Estamos aqui de mãos dadas para convencer o Estado brasileiro e os dirigentes governamentais a, neste momento difícil, investir mais em ciência, e não menos! É o único caminho. Se não, vamos perder o rumo da história mais ainda.”

Jacob Palis abordou a trajetória do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e relembrou momentos marcantes que levaram ao atual reconhecimento internacional da comunidade brasileira na área. Diretor da organização social de 1993 a 2003, Palis completa no ano que vem 50 anos como professor titular do Impa. Também presidiu a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (Twas, em inglês) e a União Internacional de Matemática (IMU, em inglês).

Para o atual diretor do Impa, Marcelo Viana, o homenageado da SNCT é o Pelé da matemática brasileira. “Eu poderia passar horas falando da nossa convivência de mais de 30 anos, como seu ex-aluno, ou do currículo dele, grande embaixador da ciência brasileira no exterior”, disse. “Mas vou fazer uma coisa que matemáticos em geral não fazem, que é falar daquilo que não entendem – no caso, de pássaros. Ocorre que certos indivíduos têm capacidade não só de cantar mais e melhor do que os demais, como de influenciar os pássaros em volta dele, menos talentosos ou menos predispostos a cantar. E o Jacob é um grande curió cantador da matemática brasileira.”

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, Jailson de Andrade, definiu Palis como um defensor incansável da evolução da pesquisa no país. “Jacob representa o vigor da ciência brasileira, a começar por seu início de carreira, quando se graduou em engenharia no Rio de Janeiro e fez mestrado na Universidade da Califórnia em apenas três anos”, destacou. “Estamos aqui hoje para celebrar a matemática, que está em tudo, como diz o tema da SNCT, e a sua importância para o Brasil. E essa celebração só poderia ser feita em nome deste queridíssimo amigo de longa data, que não desiste dos seus objetivos.”

Nascido em Uberaba (MG), em 1940, filho de um comerciante libanês com uma dona de casa síria, Palis trabalha na área de sistemas dinâmicos, o estudo de trajetórias de equações diferenciais em longo prazo, que servem para modelar fenômenos que evoluem no tempo, como o clima, as reações químicas e os sistemas planetários, além de atividades socioeconômicas.

Exemplo

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, reiterou a competência e o entusiasmo do matemático para influenciar e movimentar a comunidade científica. “O Jacob Palis tem essa capacidade de fazer pesquisa de primeira qualidade, formar novas pessoas e se preocupar com o futuro da área no país. É uma referência nesta luta. Certamente a ciência brasileira hoje tem qualidade porque pessoas como Jacob Palis fazem com que ela tenha uma expressão nacional e para o mundo inteiro”, apontou. “O que a gente faz é simplesmente registrar a sua brasilidade, esse lado fundamental de pensar o país, que é um mérito seu, e é certamente um motivo de engrandecimento do Brasil ter um matemático como você.”

Já o secretário-executivo adjunto do MCTIC, Alfonso Orlandi Neto, definiu como uma obrigação a escolha do nome de Palis para a homenagem.  “Tive o privilégio de participar da cerimônia de premiação da Obmep [Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas], no Rio de Janeiro, e fiquei impressionado com o que vi: aquele bando de meninos apaixonados pela matemática e a organização do evento, brilhantemente comandada pelo Impa. Tenho certeza de que a grande maioria daqueles jovens tem no senhor um exemplo de amor, competência e dedicação à matemática.”

Alfonso, Jailson e Viana entregaram uma placa em homenagem ao matemático, ao lado do secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, Tiago Coelho. O presidente da Academia Taguatinguense de Letras, Gustavo Dourado, recitou cordel alusivo à vida de Palis. A iniciativa de reconhecer e divulgar a biografia de um pesquisador na SNCT começou no ano passado, com a engenheira agrônoma Johanna Döbereiner.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) levou ao Parque da Cidade uma exposição com outros grandes nomes da história da matemática brasileira, dentre pesquisadores e professores: Adriana Neumann, Artur Avila, Carolina Araujo, Cecília Salgado, César Camacho, Chaim Hönig, Djairo Guedes, Elon Lages Lima, João Bosco Carvalho, Júlio César de Mello e Souza, Keti Tenenblat, Leopoldo Nachbin, Manfredo do Carmo, Marcelo Viana, Mario Teixeira, Maurício Peixoto, Nilza Bertoni, Ricardo Mañé, Roberto Baldino, Ubiratan D’Ambrosio e Welington de Melo.

 

Fonte: Ascom/MCTIC

Notícias relacionadas