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Cortes no orçamento comprometem pesquisa em ciência e tecnologia na UFU

Ministério afirma que tem atuado pela recomposição orçamentária ainda neste ano e que neste mês conseguiu a liberação de R$ 440 milhões

Foto: Valter de Paula / PMU

O diretor de pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia Kleber Del Claro afirmou durante a abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na segunda-feira (23), que os cortes no orçamento tem comprometido a pesquisa na universidade. “Esse ano de 2017 está sendo o menor orçamento em ciência e tecnologia que nós já tivemos e a proposta do governo é uma redução maior no ano que vem”, destacou.

Segundo o diretor, esses cortes afetam a manutenção de laboratórios, a compra de reagentes básicos, o pagamento de bolsas de pós-graduação para os estudantes e o intercâmbio de pesquisadores. “Como também o desenvolvimento de novas tecnologias, novas pesquisas, vai ficar tudo comprometido. Já está chegando ao ponto de alguns laboratórios no Brasil estarem parando por falta de dinheiro para pagar conta de luz”, disse.

Del Claro destacou que devido a esse cenário, milhares de jovens estão pensando em deixar o Brasil e muitos cientistas renomados já estão fazendo. “Corremos o risco de perder toda uma geração de cérebros para outros países”. A solução apontada pelo pesquisador é a recomposição do orçamento.  “Estamos num beco sem saída, precisamos da recomposição orçamentária. Voltar aos investimentos, pelo menos aos níveis mínimos de 2014 e 2015”.

A UFU tem dois Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia de um total de 13 em todo o Brasil. Atualmente, conta com 28 mil alunos na graduação e 6.436 em cursos de pós-graduação, dentro de 51 programas de mestrado e doutorado.

Resposta do MCTIC

Em nota, o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) esclarece que neste mês foi descontingenciado o valor de R$ 440 milhões pela equipe econômica do governo federal. O recurso será destinado, prioritariamente, ao pagamento de bolsistas, de maneira a evitar que impactos significativos venham a ser observados. Já os valores liberados do PAC deverão ser destinados às obras do novo laboratório de luz síncrotron, o Sirius, do Satélite SGDC e da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa)”.

“O Ministério atua junto aos Ministérios da Fazenda e do Planejamento pela recomposição orçamentária ainda em 2017. Trabalha também pelo cumprimento do orçamento para o ano de 2018 já que considera o papel da pesquisa científica, imprescindível para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, como demonstra a história. É importante ressaltar que os valores para 2018 ainda estão sendo discutidos e não há um detalhamento sobre cortes ou aumentos no orçamento da pasta”.

 

Texto: Leonardo Leal

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