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Empresa familiar

Há uma conotação negativa, quando se refere ao termo Empresa Familiar – esta é sinônimo de ineficiência, de proteção, enfim de organização onde tudo se pode. E, por outro lado, as empresas não-familiares são o oposto: alta eficiência e boa rentabilidade; onde a prática da justiça domina.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Esta é uma avaliação equivocada e preconceituosa. As mazelas e a baixa produtividade podem acontecer em qualquer empresa. Insistir em avaliar mal as empresas familiares é no mínimo não conhecer sobre administração e não saber o que elas representam no mundo das organizações.

Os números confirmam: oitenta por cento das empresas do mundo são familiares; quarenta por cento das 500 maiores dos Estados Unidos são familiares. Na Europa este número é mais representativo.

Em Uberlândia – em que as empresas de maior destaque são as empresas familiares – além de criar milhares de empregos, estas empresas aceitam por vezes empregar vários elementos de uma mesma família. A indicação de amigos é aceita e até solicitada – o que permite identificar o passado familiar e profissional do candidato. A maioria das empresas, que não são administradas por família, não aceita ou dificulta esta prática.

É bom lembrar que empresas como Wal-Mart, Cargil e milhares em diversos segmentos são empresas familiares, como também a maioria das padarias e lojas que nos atendem tão bem são administradas com muita competência por casais e filhos.

Pontos negativos e positivos existem, tanto na empresa familiar como nas que foram criadas e são gerenciadas sem a presença de elementos de uma família. Erros e acertos fazem parte do mundo empresarial. A profissionalização chegou ao mesmo tempo nos dois modelos. As vantagens e desvantagens de um anulam a de outro, com um resultado de zero a zero, ambos cumprem o seu papel.

Normalmente, nas empresas familiares o calor humano, a luta pelo poder, o que é normal em qualquer organização, é natural e transparente, nas empresas consideradas não-familiares até o calor humano tem que ser planejado e as diferenças nem sempre são visíveis, o jogo é duro e frio.

Uma prática que tem contribuído muito para o desempenho das empresas familiares, mesmo as limitadas, é a criação dos conselhos de administração, com a participação de profissionais que, além de suprir alguma deficiência técnica, contribui para a administração de conflitos. Quando o formato é bem definido, todos ganham: família e empresa. Não há dúvida de que essa é uma tendência. Temos acompanhado e participado a mais de vinte anos e os resultados têm sido acima das expectativas.

Pelas características nacionais, acredito que o modelo de empresa familiar no Brasil acena como sendo o melhor para contribuir naquilo de que mais necessitamos: gerar riquezas para o País. O brasileiro tem um perfil que facilita criar alianças estratégicas, se relaciona fácil e a ambição predomina sobre o egoísmo.

A amizade é um valor empresarial, apesar de não constar ao lado da visão e da missão das empresas. Este é um valor que predomina nas empresas familiares.

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão

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