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O fim da crise política é o caminho para a economia voltar a crescer, afirma Everton Magalhães

O presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) Regional Vale do Paranaíba, Everton Magalhães Siqueira, em entrevista a O JORNAL de Uberlândia destaca as ações da entidade, o Projeto de Competitividade Industrial Regional e a melhora da economia no segundo semestre. Contudo, ele afirma que é fundamental, para o crescimento econômico do País, o fim da crise política.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista, em que Magalhães ressalta a importância da abertura de crédito para as empresas e o voto consciente na escolha dos candidatos para 2018.

Foto: Divulgação FIEMG

Quais as principais ações da FIEMG em nossa região?

A FIEMG, na parte política, trabalha em defesa da indústria nas áreas tributárias, de meio ambiente… defendemos sempre as empresas naquilo que elas necessitam. Tivemos muito trabalho recentemente, com a mudança no governo do Estado, em que o nosso governador Pimentel quis elevar o ICMS de vários itens. Tivemos que discutir com ele, conseguimos algumas vitórias.

Um exemplo clássico foi em relação à Ambev, em que o governo tinha dobrado o valor do ICMS e a empresa encerraria as atividades em Minas, nas quatro fábricas. Conseguimos renegociar com o governo estadual.

No setor de confecção também, o governo estadual deixou de fazer crédito e débito do que a gente recebia de matéria-prima de outros Estados e ele tributou em 2% sobre o faturamento, que foi muito bom.

A entidade conta com uma assessoria jurídica para ajudar as indústrias em licenciamento ambiental junto a SUPRAM, IGAM. Somos também os representantes do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais).

A FIEMG atua em muitos setores. No nosso prédio em Belo Horizonte têm 15 andares, cada andar é um setor. A gente dá muito suporte à indústria como um todo. Isso em todo o Estado de Minas, como também as outras federações realizam ações nos seus respectivos Estados: FIESP, FIRJAN, FIEGO.

 

A entidade também realiza ações sociais e de educação?

A FIEMG é um conjunto. Tem o SESI (Serviço Social da Indústria), o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Ela administra os recursos dessas duas entidades. O compulsório que é retirado das folhas de pagamento dos funcionários, uma parte é do governo federal, outra da CNI e outra parte, da FIEMG.

Junto ao SESI, fazemos muito trabalho junto às crianças, jovens e idosos. Com escolas, esportes, teatro, etc. É a parte social. Já com o SENAI, fazemos um trabalho de qualificação e requalificação. As unidades do SENAI Roosevelt e do Santa Rosa realizam oficinas, cursos para mecânico, também na área da construção civil, confecção. Há uma demanda muito grande nesses cursos.

No SESI temos a escola do 1º ao 9º ano, que está classificada como a terceira melhor escola de Uberlândia em aprovação. Uma das mais concorridas, e as pessoas que trabalham na indústria têm desconto na mensalidade, que é pequena. Então, essa é uma parte social.

 

Atualmente quais projetos a FIEMG tem desenvolvido junto à indústria na região?

Estamos com um processo de consultoria, o PCIR (Projeto de Competitividade Industrial Regional), que é o plano junto às indústrias. Fizemos dois esse ano, o primeiro com nove indústrias e agora estamos com 16 indústrias.

O PCIR é uma consultoria 100% gratuita para a empresa. Temos recebido empresários de várias indústrias. Se faz um levantamento e se fornece um checklist do que é preciso melhorar no todo. Teria um custo alto se a empresa buscasse isso no mercado e ela tem esse sistema. Também, tem toda a assistência para a área de meio ambiente, entramos com os pedidos de licença ambiental para a empresa.

Outra ação que fizemos recentemente foi de palestras aqui na sede da FIEMG sobre as reformas trabalhistas, mostrando para o empresariado o que há de novo nas reformas. Nesta semana realizamos uma palestra em parceria com o Corpo de Bombeiros sobre prevenção e combate a incêndios nas indústrias. Ao longo do ano, realizamos diversas ações.

 

Do ponto de vista empresarial e industrial, qual a avaliação que o senhor faz de Uberlândia?

Estamos saindo de um momento turbulento. Em Uberlândia somos privilegiados pelo mix de setores que temos. Então, quando a indústria está ruim, às vezes o pessoal dos serviços está bem, o comércio está bom, a agricultura e a pecuária estão bem. Por essa razão, Uberlândia sente menos o impacto do que outras regiões do Estado. Isso não quer dizer que a crise não passou. Ela passou, sim, no entanto, a partir do segundo trimestre houve uma melhora na economia, ocorreu uma recuperação.

A gente diz que início do ano é complexo, têm diversas despesas com escola de criança, impostos como IPTU, IPVA. São despesas fixas e anuais que as pessoas têm. Quando elas acabam de pagar, começam a investir e vão para o comércio. Se o comércio começa a trabalhar, vender e girar, automaticamente aciona a indústria, que vai manter o estoque. Isso é uma cadeia, incluindo a prestação de serviços.

Nós saímos do vermelho, que estava em -4%, e passamos a 0,2%. Mas, não é muito pouco? Não, se tornam quase 5% de crescimento. A gente espera que no final do ano, agora em dezembro, em relação ao ano passado, a gente tenha um crescimento em torno de 5% a 6%, que é muito bom para a indústria.

 

Contudo, a situação política do País tem gerado turbulências na economia em nível nacional?

O que vem atrapalhando a nossa indústria é a crise política do nosso País. Sai Temer, fica Temer, denuncia Temer. Isso vira uma bagunça.  Para nós empresários – não estou defendendo o Temer, nem o PMDB – estou defendendo que o que o Temer fez em um ano e três meses de governo foi melhor que os últimos 20 anos.

O fato de ter colocado teto nos gastos públicos, ter feito a Reforma Trabalhista, está agora com a Reforma Previdenciária e depois a Fiscal… ele vai virar um ícone para o nosso País. É uma mudança. Só que falam que ele tem um passado sujo, não posso acusá-lo, e fica essa briga política. Um querendo derrubar o outro. Isso está atrapalhando demais a nossa economia.

Isso precisa acabar, espero que, com a última votação, acabe e deixem ele trabalhar até o fim do mandato. Para nós, a visão do empresariado é que parar o governo agora para ter outro presidente da República é muito mais prejuízo, faltando um ano para a eleição.

Infelizmente, ou felizmente, deixe o Temer lá. Vamos trabalhar e que a economia volte a crescer. Esperamos que nesse fim de outubro, início de novembro, já que acabou essa crise política, a gente consiga trabalhar.

A nossa expectativa positiva para 2018 é que a crise política acabe em 2017, a economia já está com sinais de crescimento. Pequena, mas está indo. Que para 2018 ela cresça mais e a gente possa ter uma economia melhor, um Brasil melhor, se Deus quiser.

 

A recuperação da economia tem se confirmado. Quais os setores que têm apresentado um melhor desempenho?

Tem sim, a agricultura sentiu pouco a crise, está muito boa. Estão esperando as chuvas para começar a plantar. A indústria como um todo voltou a investir um pouco. Então, a indústria de alimentação está investindo, a de tecnologia está a todo vapor.

Por outro lado, não posso falar muito porque a FIEMG representas as indústrias, mas o comércio está indo bem. Tenho contato com o Osvaldo Gomes, da FECOMÉRCIO, eles estão tendo bons resultados. A gente vê que o sorriso está voltando no rosto de cada um. Há um otimismo. Era muito ruim, seis meses atrás, todo mundo de cabeça baixa, cabisbaixo. A gente tem visto esses sinais, acho importante.

 

Apesar de a economia apresentar sinais de melhoria, o crédito junto aos bancos continua difícil?

Uma coisa que precisa, a hora que acabar essa crise política, é o governo abrir mais o crédito junto aos bancos. Hoje está travado. As empresas não conseguem pegar capital de giro para investir, crescer e ampliar seus negócios. A hora que passar a crise política, o governo vir que a economia está estável, a inflação está controlada, ele possa injetar capital no mercado para que as empresas possam captar. Aí, sim, vai haver um crescimento.

A Caixa Econômica Federal tem muita relação com a FIEMG por meio do SINDUSCON (Sindicato da Construção Civil). Todo apartamento é financiado, mas nos últimos 30 meses ela segurou o crédito. Baixou de 100% para 80% o financiamento e agora baixou para 50% o de imóveis usados. Isso atrapalha a indústria como um todo porque a mola propulsora do emprego no Brasil é a construção civil. Dos 14 milhões de pessoas desempregadas, a maioria é da construção civil, depois vêm da indústria, comércio e prestação de serviços.

Como é um banco público, com a estabilidade da economia tenho certeza que o governo vai autorizar a Caixa a liberar dinheiro no mercado.

 

Qual a perspectiva do setor industrial para 2018, no cenário político?

Do ponto de vista político, é um ano muito importante para nós. Para o Brasil como um todo, será um divisor de águas, mas temos que ter cuidado, não precisamos condenar todos os políticos que estão lá como ruins e colocar novos que serão uma incógnita, podendo até piorar o Congresso.

O povo brasileiro precisa avaliar o seu candidato e votar consciente. A eleição em 2018 tem que ser um voto consciente. Quem fez rolo, está na Lava Jato, recebeu propina, não serve para ser nosso representante junto ao Congresso Nacional. O eleitor deve eliminar esse pessoal e votar conscientemente. Isso é o mais importante, porque todo povo tem o governo que merece. Que 2018 seja um ano em que os eleitores tenham consciência da escolha de seus candidatos. Isso será um grande passo para nós.

 

Texto: Leonardo Leal

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