Destaque Economia Expresso

Mudanças nas entidades de classe

As entidades empresariais, como os sindicatos e associações, exercem e exercerão importante papel na sociedade como um todo, principalmente no segmento em que atuam. Mas terão que mudar para atender às novas demandas. Este é o ponto vista que defendemos. Por quê?

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

A maioria dessas entidades surgiu com o objetivo inicial de ser um elo entre o capital e o trabalho, os famosos e doloridos dissídios coletivos, em que dois lados chegavam as traçar estratégias de guerra entre si; hoje estão do mesmo lado com o objetivo de criar riquezas para o país e vantagens competitivas ao disputar num mercado cada vez mais globalizado.

Outro papel do sindicato era a representação política e seguia o mesmo formato: o governo e os empresários de um lado e os trabalhadores quase sempre na oposição. Nesse papel, o mais comum era empresários e trabalhadores serem usados como instrumento de manobra por grupos que, na maioria das vezes, não defendiam interesses de nenhuma das partes.

A partir da metade do século passado, tivemos uma proliferação dessas organizações para atender a uma demanda real, que foi a segmentação das atividades. Hoje, parece que temos mais organizações do que representados. A maioria não representa nada. Os dissídios não têm o peso do passado e a população, quanto ao processo político, construiu uma relação pobre e mais direta. Partiram as associações para a prestação de serviços, como cursos e outros.

É o que esta acontecendo. Está havendo uma concorrência na área de serviços entre as próprias entidades, e mais: em alguns casos estão concorrendo com os próprios filiados que também oferecem serviços, criado uma relação constrangedora e desnecessária.

Outro ponto que vale a pena destacar é o fato de o empresário ser obrigado por lei e, em alguns casos por relação social, a se filiar em várias associações e sindicatos; uns bem administrados, outros não; alguns com foco na sua finalidade, outros para atender a pequenos grupos que falam em nome de todos os filiados. Situação essa no mínimo constrangedora.

O que na verdade está acontecendo é que o ambiente mudou. Todas as instituições terão que ser repensadas para atender a este novo momento, criado pelo próprio Estado. Para se observar isso basta acompanhar a formação dos blocos econômicos.

No caso das associações e sindicatos, acredito que terão que discutir o seu modelo nesta nova realidade. Terão que ser reinventados. O atual formato não atende mais à realidade.

Acredito que o primeiro passo deverá ser das associações. Estas deverão ser reconstruídas com empresários e trabalhadores e focalizar a construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária. Não é utopia, as empresas já estão discutindo esse modelo. Outro passo é discutir a competitividade que transcende as barreiras locais, como: O que representa o mercado chinês? Com agir com os produtos transgênicos? Que tipo de Estado necessitamos? Estes temas antes eram delegados ao governo, que sozinho não consegue responder estas questões vitais.

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão

Notícias relacionadas