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Finados: dia dos mortos ou dia dos vivos?

Acreditamos ser importante refletir sobre a morte, e isso cabe aos vivos – motivo que nos faz questionar ser este o dia dos mortos ou dos vivos

Foto: Pixabay

Dedicamos este Editorial a uma data muito especial, o Dia de Finados, que acontece todos os dias, porque em todas as partes do mundo alguém perde um ente querido. Acreditamos ser importante refletir sobre a morte, e isso cabe aos vivos – motivo que nos faz questionar ser este o dia dos mortos ou dos vivos… neste mundo onde o coletivo tem perdido para o individual, onde a tecnologia tanto bem faz, mas em algumas circunstâncias nos afasta do orar.

Dois de novembro, Finados. Para alguns é um dia comum, um feriado para lazer. Mas é importante lembrar que é uma celebração que surgiu no “século II, [quando] alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava”.

Na entrada de alguns cemitérios, há uma frase que nos leva a uma profunda reflexão: “Lembrateó homem, que és pó e em pó te hás de tornar.” (Gen. 3, 19). Acreditamos que sobre isso devíamos meditar diariamente. Os antigos e a maioria dos religiosos fazem-no ainda, com bastante frequência. Refletir sobre a morte leva a conclusões diferentes para várias religiões, mas podemos pensar que vale a pena, porque esta é uma das poucas certezas inerentes a todos os seres vivos, independentemente da classe social.

Arriscamos afirmar que Finados pode ser uma data triste, mas educativa, para nos tornarmos mais realistas e humanos. Os indígenas sempre acreditavam no resgate, que, quando perdemos alguém querido, perdemos uma parte de nós e, no transcorrer da vida, as perdas vão se acumulando e precisamos nos resgatar com boas práticas e com orações – atitudes adotadas por algumas religiões. Quem nunca perdeu alguém?

Em um mundo no qual crescem o consumismo e a concentração de renda, onde muitos não conhecem o vizinho, onde valores seculares são vulgarizados, até algumas religiões deixaram de ser templos da virtude para ser atividade comercial, pensar sobre a morte torna-se importante porque nos leva a refletir sobre a vida. Santo Agostinho recomenda: “Canta no caminho e o caminhar será leve”. Temos que encontrar tempo para cantar e tirar um dia para os que já se foram, que podem estar ainda ao seu lado.

 

Editorial O JORNAL de Uberlândia

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