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A difícil arte de recomeçar

Quando conversamos com as pessoas, notamos que o assunto não mudou, exatamente porque é mais fácil continuar do jeito que está.

Foto: Sebastião Barbosa

Sabemos que os encontros orbitam, principalmente, sobre os acontecimentos que estão gravados na memória, no consciente e no inconsciente.

Lembramo-nos, automaticamente, de fatos que foram marcantes emocionalmente, uma forma de preservar nossa história nos momentos em que realmente tivemos sentimentos envolvidos.

Tente recordar algo com mais de 10 anos. Ao conseguir, veja que está relacionado a uma forte emoção.

A memória é um registro recorrente, apreciado por pessoas vinculadas ao passado. Diferentemente daquelas que usam a experiência como referência para o próprio crescimento e metas futuras.

No nível consciente, estamos localizados no rápido presente; percebemos nossa posição em relação ao ambiente e às pessoas. Representa a dinâmica constante do equilíbrio, ou seja, a busca volitiva pela verdade e pelo acerto, em confronto com a ilusão e o erro.

No inconsciente, encontramos a complexidade de formação do “ser social”, do resultado da jornada humana enquanto membro de um universo naturalmente improvável.

Por isso agimos, muitas vezes, movidos pelo desejo de participação e senso de existência no meio em que vivemos.

Nesse sentido, adquirimos hábitos que nos façam sentir integrados à coletividade e ao mesmo tempo nos tragam alguma forma de gratificação.

Boa parte da nossa vida, “falamos e fazemos coisas” sem estar conscientes da nossa liberdade de escolher, sem medo, o que é melhor para nós, recusando livremente o que nos faz mal.

De certa forma, seremos “escravos” de nossos hábitos; e, se foram adquiridos no processo de “construção” do inconsciente e/ou das experiências passadas (memória/tradição), perdemos a capacidade de recomeçar a partir de cada novo dia.

A mudança tem um único caminho: o tempo, representado pelo ciclo diário. Este de fato é um grande “presente” para toda a humanidade: o encerramento com a noite e o recomeçar com o nascer do sol.

É neste intervalo de terminar e começar – todos os dias – que as transformações ocorrem, então a mudança deriva da DIFÍCIL ARTE DE RECOMEÇAR.

Ver cada novo dia como um milagre e uma oportunidade de recomeçar não pode ser um pensamento vazio – “da boca para fora” –; não podemos nos acostumar com a luz do sol, sem dimensionar a verdadeira função (magnífica) de acordar melhor,  fazer diferente, dizer boas mensagens, estar presentes e conscientes junto das pessoas – todos os dias.

Não precisamos esperar o final do ano para refletir sobre nossas atitudes e fazer a lista de mudanças.

Embora seja difícil recomeçar, ainda assim é uma arte. Seja você o próprio artista da sua vida – todos os dias!

 

Texto: Dr. Sebastião Barbosa e Silva Junior

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