Entrevista Expresso Foco Sindicato Rural de Uberlândia

Entrevista com Gustavo Galassi, candidato à presidência do SRU

Segurança no campo, convênio médico e parceria com o Executivo são as bandeiras da chapa: Juntos Somos Mais Fortes

Foto: Leonardo Leal

O engenheiro agrônomo Gustavo Galassi Gargalhone é o candidato à presidência do SRU (Sindicato Rural de Uberlândia) da chapa: “Juntos Somos Mais Fortes”. Bisneto de produtor rural e há 16 anos em cargos da diretoria do sindicato, Gustavo Galassi levanta a bandeira de mais segurança no campo, criação de um convênio médico para os produtores e a parceria com o Poder Público para atender às demandas dos ruralistas.

Em entrevista a O JORNAL de Uberlândia, ele falou de suas propostas, sua trajetória ligada ao campo e o momento atual do agronegócio. Confira abaixo.

 

Como tem sido a sua trajetória relacionada à área rural?

Sou bisneto de produtor rural, meu pai é produtor, meu avô foi. Praticamente, eu nasci dentro do Sindicato Rural de Uberlândia, convivi com eles desde quando o sindicato era na Avenida Belo Horizonte, depois passou para o bairro da Pampulha. Era menino, mas tenho muita lembrança da mudança de local, de onde estava para onde é o parque hoje.

Sou diretor do Sindicato Rural há 16 anos, sou engenheiro agrônomo formado pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia) com MBA em Gestão e Marketing.  Em três gestões diferentes, fui diretor em uma e vice-presidente nas duas últimas, do atual presidente, o Thiago Fonseca. Estou na diretoria há bastante tempo, aprendendo e acompanhando o dia a dia e a maneira que a gente conduz o Sindicato Rural.

 

Porque o senhor se candidatou à presidência do SRU?

Sempre fui diretor e vice-presidente para somar. Nunca tive essa ambição doida para ser presidente. Outras vezes meu nome foi cogitado e, para não haver uma disputa, até cedi a vez. Sempre fui um homem de grupo, para manter a unidade do sindicato.

No ano passado, a diretoria se reuniu e, como o Thiago Fonseca não poderia ser candidato, eles decidiram que meu nome seria o de consenso da diretoria, caso eu aceitasse. Aceitei o desafio de ser candidato, com o respaldo de 95% da diretoria, que está junto com a gente, me apoiando. A pedido do grupo de diretores, eu aceitei e vamos encarar o desafio, se o nosso associado assim o desejar.

 

Como está a questão da representatividade dos diversos segmentos do campo em sua chapa?

Quando a gente foi montar a nossa chapa, a preocupação foi essa: de tentar setorizar o máximo que a gente conseguisse do que representa a atividade rural em Uberlândia e no entorno.

Estamos bem representados nesse sentido. Temos quatro a cinco diretores muitos fortes na agricultura de soja e milho, temos um representante da cultura da banana, temos três a quatro representantes do suíno e frango, que passa por uma crise forte nesse momento. Na pecuária de leite temos quatro a cinco diretores muito envolvidos e na pecuária de corte; temos também outros segmentos. Fizemos um esforço para cada diretor trazer a necessidade de cada cultura. Temos três representantes no Ceasa.

Na nossa chapa temos uma mulher, produtora rural, guerreira, que a gente tem apreço. Também contamos com outras mulheres que não podem ser incluídas na chapa pela quantidade de integrantes, mas apelidamos de madrinhas, que são representantes da pecuária de leite e da suinocultura.

 

Quais são os projetos e as propostas de sua campanha?

Fiz um plano que conta com 14 propostas, como defesa da propriedade em relação às invasões, segurança rural, participação na defesa da propriedade rural, busca por um novo convênio médico para o associado – que sempre tem essa necessidade; participação junto com a Prefeitura nos programas de estrada interna, programa de calcário, curva de nível, bolsão de água, etc.

Temos também o projeto que se chama “Fazenda Legal”, que visa ajudar o associado a estar em dia com a parte ambiental, jurídica, trabalhista da fazenda.

Outra ideia nova é criação do Museu Rural. Vamos seguir com uma participação muito firme na FEMEC e no CAMARU, que são dois eventos muito grandes criados pela nossa diretoria, e queremos continuar dando ênfase total. A FEMEC, por exemplo, é a maior feira do agronegócio de Minas Gerais. Queremos manter esse posto. Revitalização do parque de exposições, temos algumas ideias para modernizá-lo; melhorias necessárias no leilão comercial, em que o associado tem desconto na venda e compra de gado.

 

Quais desses projetos o senhor destaca?

Todos são importantes, mas destacamos a questão da segurança no campo em parceria com a Polícia Militar, de criar um cinturão de monitoramento em torno da zona rural. Temos tido conversas com os conselhos rurais e vimos que é possível dar continuidade a melhorias na área de segurança.

Também o convênio médico, que é uma questão que o pequeno associado tem necessidade, vamos buscar para ajudar o pequeno associado, dentro da lei.

Outra ação importante é retirar qualquer salário da diretoria. Antigamente o presidente tinha uma remuneração muito alta, a gente não compactua com isso. Então, uma das nossas propostas é manter sem salário o presidente e os diretores.

Na questão das invasões de propriedades, vamos ter uma atuação firme em relação a isso. Também a parceria com a Prefeitura, que é muito importante para ajudar o produtor rural.

 

Caso seja eleito, qual será sua primeira ação?

Algumas ações estão em andamento, a questão do convênio, a gente está praticamente conversado, faltando apenas alguns detalhes. A questão do monitoramento, a gente também está avançando.

Primeiramente, vamos ter que fazer a transição da diretoria. Embora muitos diretores estejam nas duas diretorias, haverá mudanças de cargo, a gente tem que readequar. A FEMEC começa em março. Com a posse em fevereiro, é uma atividade que a gente tem que aproveitar e acelerar.

 

Como o senhor avalia a situação atual do setor agropecuário?

Em relação à questão econômica, a zona rural sofre muito devido ao que acontece no Brasil. Nós somos dependentes da economia: ela indo bem, boa parte dos produtos acompanha. Estamos tendo uma crise do leite, relacionada à economia do País. Com a queda do poder aquisitivo, as pessoas consomem menos, isso acaba refletindo. Com a produção de carne de frango também estamos sofrendo por questões de consumo e de problema jurídico, uma vez que a Operação Carne Fraca refletiu no setor. Outras culturas nem tanto, a soja, por exemplo. Ao acompanhar há anos, a gente tenta diminuir essas oscilações que acontecem com os produtos. O foco e o fórum principal de todas essas discussões e melhorias é a partir do Sindicato Rural, que sempre estará aberto para diminuir o impacto desses problemas e melhorar para o produtor.

 

No Sindicato Rural têm surgido lideranças que depois exerceram cargos nos Poderes Executivo e Legislativo, representando Uberlândia. O senhor tem pretensão de disputar algum cargo político no futuro?

Não, meu foco é estritamente no Sindicato Rural. Nem poderia, porque temos tantos desafios que vão exigir a nossa competência e esforço… Não tenho esse pensamento agora. Tenho orgulho de ser neto do Virgílio Galassi, que, sem dúvida, foi um dos maiores políticos do Estado, pelas realizações e a marca que deixou. Mas acho prematuro, uma vez que estamos focados na presidência do Sindicato.

 

Texto: Leonardo Leal

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