Entrevista Expresso Foco Sindicato Rural de Uberlândia

Entrevista com Paulo Roberto Cunha, candidato à presidência do SRU

Segurança rural, assistência técnica ao produtor e a formação continuada são as bandeiras do candidato da chapa: Podemos Muito Mais

Foto: Leonardo Leal

O ex-presidente do SRU (Sindicato Rural de Uberlândia) Paulo Roberto Cunha é o candidato à presidência da chapa: Podemos Muito Mais.

Cunha ocupou a presidência do sindicato por 11 anos, atuou também na CALU (Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia). Atualmente integra os conselhos da ABCZ e da Girolando. Sua campanha tem como bandeiras a segurança rural, a assistência técnica ao produtor e a formação continuada.

Um fato inédito de sua candidatura é a presença de quatro mulheres na chapa que compõe a diretoria. Em entrevista a O JORNAL de Uberlândia, Cunha falou de suas propostas, sua trajetória ligada ao campo e o momento atual do agronegócio. Confira abaixo.

 

Como tem sido a sua trajetória profissional relacionada à área rural?

Entrei no Sindicato Rural em 1998, a eleição foi em 1997. Entrei como vice-presidente do Luiz Humberto Carneiro, já sabendo que seria o presidente porque ele ia se desincompatibilizar para se candidatar a deputado estadual. Assumi a presidência em março, fiquei por três mandatos: primeiro, de 1998 a 2001, depois fui reeleito duas vezes e deixei o cargo em janeiro de 2009.

Antes disso tive uma atuação na CALU (Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia). Sou produtor rural desde que nasci, fiz Engenharia Civil, deixei a fazenda para me formar e voltar. Sempre estivemos trabalhando com gado de leite, criamos em Uberlândia o Núcleo de Criadores de Gado Holandês, fui o vice-presidente desse núcleo e o Romes Figueira, o presidente. Trouxemos o gado holandês para a região. Hoje, pertenço ao conselho consultivo do Sindicato Rural, faço parte do conselho fiscal da ABCZ e sou o único de Uberlândia da diretoria da ABCZ. Também integro o conselho de representantes da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e fui vice-presidente da FAEMG por dois mandatos.

 

Porque o senhor se candidatou à presidência do Sindicato Rural?

Sou candidato porque fui convocado por um grupo de produtores rurais, homens e mulheres que viram a necessidade de me chamar para encabeçar uma chapa. Houve um chamamento de um grupo de produtores, pela necessidade da representatividade aqui do Sindicato Rural.

Vamos trabalhar para atender todos os produtores rurais. Vamos buscar desde estrada, licenciamento ambiental, estrutura de associação. Vamos montar uma proteção em busca para fortalecer os produtores rurais. O sindicato em Uberlândia é um exemplo para o Brasil. Vamos continuar fazendo um trabalho muito bom, que o próprio Thiago Fonseca está fazendo, é um presidente que vai deixar um nome na história. Trouxe ele para o sindicato quando ele tinha 18 anos. Continuará me ajudando porque será do conselho consultivo.

 

Como está a questão da representatividade dos diversos segmentos do campo em sua chapa?

A chapa é composta por 20 homens e quatro mulheres, todos produtores rurais. É a primeira vez que no Sindicato Rural que tem esse número de mulheres na diretoria. Estou muito feliz. São pessoas de todos os segmentos, começa com o leite, tem cana-de-açúcar, grãos. No nosso projeto, são 24 pessoas, é um grupo que vai da pequena propriedade à grande. Nesse grupo estão todos os segmentos do agronegócio.

Outra coisa que vou fazer depois da eleição: esquecer que existiu uma disputa. Vou pegar os diretores que estão, por exemplo, o João Carlos Semenzini, que está à frente da FEMEC, está na outra chapa, é meu amigo. Já falei com ele, se eu vier a ganhar, se ele me ajuda a continuar o projeto da FEMEC. Por que não? É para o Sindicato Rural, não é para o Paulo Roberto.

Então, temos que fazer com que todas as tarefas e projetos, o sindicato continue bem. Todos os diretores são amigos. Aqui é uma disputa de amigo contra amigo. A gente conhece o perfil de um e de outro, o produtor tem que avaliar isso.

 

Quais são os projetos e as propostas de sua campanha?

Temos uma experiência grande por ter ficado aqui no sindicato por 11 anos. Então, o que mais necessita o Sindicato Rural hoje é na área de serviços. Se você vir aqui no Sindicato Rural, você não vê produtor aqui dentro, é um elefante branco. Onde não tem serviços.

Vamos implantar primeiramente a segurança rural. No ano 2000 nós criamos o projeto “Campo Seguro”, que foi inédito no Brasil. Fomos os pioneiros a criar aqui no Sindicato Rural. Fomos para várias cidades, os sindicatos rurais chamavam a nossa equipe, que na época contratei o coronel Teotônio, para nos assessorar na área de segurança. Esse projeto teve uma divulgação nacional na imprensa. Agora vamos fazer algumas modificações nele e vai ser chamado “Campo Seguro Inteligente”. O “Inteligente“ se refere ao uso de drones, implantação de chips, de bases e torres nas propriedades rurais. Inclusive, é um projeto que temos que buscar apoio junto ao Ministério da Agricultura para implantá-lo com sucesso.

Outra ação que vemos a necessidade de implantar é da assistência técnica. O nosso projeto de campanha é focado em três segmentos: segurança rural, assistência técnica e formação continuada. Isto é, trazendo tudo que tem de tecnologia e inovações, por meio de palestras dentro do Sindicato Rural, para os produtores rurais.

Nesse projeto nós temos assistência técnica, que é o DAT (Departamento de Assistência Técnica), que vai contar aqui dentro com veterinários, agrônomos, técnicos agrícolas, para dar assistência aos produtores rurais. Ele não foi criado à época que fui presidente porque tinha a CALU, que contava com um departamento técnico fantástico, que não tem mais hoje. E vemos a necessidade de se criar o DAT dentro do sindicato para atender os produtores de pequenas propriedades.

 

Quais projetos o senhor destaca?

Quando eu saí da presidência em 2009, nós tínhamos um plano de saúde em parceria com a Unimed, que acabou e não foi criado outro plano. Vamos criar novamente um plano de saúde. Algum formato nós vamos achar para trazer aos produtores rurais.

Vamos trazer também para o sindicato um escritório de contabilidade e um de planejamento de projetos agropecuários. Também vamos trazer um balcão de negócios, que é muito importante para os produtores de pequenas propriedades que usam menores quantidades de milho, soja. É uma oportunidade que vamos trazer para ele. Aluguel de máquinas agrícolas, pá carregadeira.

Vamos fazer convênio com as empresas que têm esse maquinário, com todo esse alicerce de pessoas para ajudar esse produtor. O que tiver que possamos ajudar os produtores rurais aqui, nós vamos fazer.

 

Caso seja eleito, qual será sua primeira ação?

Nós temos uma pista de cavalo no parque de exposições, onde realizamos várias provas de team penning, de tambor, e aquilo está uma vergonha. Falta dreno. Entraram com carreta e quebraram os drenos. Hoje no Brasil, um dos maiores mercados que temos é o de equinos. Então, essa pista vai ser a nossa primeira obra, vamos fazer os drenos novamente para escoamento de água. Estive lá semana passada, numa prova team penning, fiquei com vergonha, havia muitas poças de água.

Geralmente, quando se entra numa entidade, se faz uma reestruturação da parte administrativa, aqui é fantástico. A turma que está aqui é a equipe que eu deixei. Não vai precisar mexer em nada. A única coisa que vamos agregar é no departamento jurídico, que temos uma advogada de uma competência excepcional na parte ambiental.

Então, vamos contratar um advogado na área agrária e criminalista para que os ladrões presos na zona rural, esse advogado vai dificultar a saída desses ladrões. Porque hoje, ladrão é preso, um dia depois está solto. Esse é um projeto que vamos fazer de imediato. O nosso advogado do departamento jurídico do sindicato vai apoiar o produtor em todos os segmentos, gratuitamente, até que vire uma ação.

Por exemplo, em uma fazenda invadida, o advogado vai estar lá para fazer o boletim de ocorrência, para notificar os invasores. A partir do momento em que virar uma ação, então o nosso advogado vai somente acompanhar esse produtor rural.

 

Como o senhor avalia a situação atual do setor agropecuário?

Nós estamos passando por uma crise no Brasil. Na zona rural não é diferente. Temos em Uberlândia todos os segmentos. O leite é o pior, que está numa situação inigualável nos últimos 20 anos. Estávamos recebendo R$ 1,80 pelo litro de leite e hoje está R$ 1,00. Isso veio bruscamente, pegou o produtor de surpresa, que estava investindo.

Hoje, precisamos melhorar as estradas, o prefeito, que é produtor rural, foi presidente desta casa, acredito que ele vai nos ajudar. Porém, o sindicato tem que mostrar o caminho. Nós temos um projeto quando fui presidente e o Odelmo Leão, o prefeito, o “Campo sem Lixo”. Se você andar nas estradas vicinais, conta com caçambas nas saídas de rodovia. Esse é um projeto do Sindicato Rural realizado na minha gestão. Fizemos e encaminhamos ao prefeito.

Um outro projeto que fizemos junto com a Prefeitura, com o IMA, de vacinar todos os animais na periferia de Uberlândia, na época deu 4,5 mil animais. Não vi mais falar sobre isso depois que saí do Sindicato Rural. Temos esse cuidado. Os produtores são de Uberlândia, com certeza o prefeito vai abraçar essa causa, a pedido nosso. Nós estamos aqui para cobrar e ajudar o produtor rural.

 

No Sindicato Rural têm surgido lideranças que depois exerceram cargos nos Poderes Executivo e Legislativo, representando Uberlândia. O senhor tem pretensão de disputar algum cargo político no futuro?

Como diz o ditado: “O futuro a Deus pertence”. Vamos fazer agora um trabalho muito bom, um trabalho para que possamos eleger deputado e prefeitos pelo trabalho. Temos uma estrutura fantástica aqui no Sindicato Rural para shows. Então, além do CAMARU, vamos fazer vários shows durante o ano, beneficente para as entidades filantrópicas, principalmente o Hospital do Câncer. Queremos mostrar para a população que o Sindicato Rural, além de defender os produtores, ajuda a população. Temos amigos cantores que vão fazer questão de ajudar o Hospital do Câncer e outras entidades filantrópicas. Vi esse exemplo em Barretos.

 

Texto: Leonardo Leal

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