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A doação fantasma

Francisco Capparelli e Geraldo Migliorini, diretores da ACIUB, procuraram Monsenhor Eduardo e lhe propuseram construir um colégio na cidade e entregá-lo aos irmãos maristas. Monsenhor adorou a ideia e levou-a a dom Alexandre Gonçalves Amaral, bispo de Uberaba, que a aprovou, só que não havia irmãos maristas disponíveis. Dom Alexandre foi aos salesianos, famosos educadores, que aceitaram. Na Praça N. S. Aparecida eles já construíam um colégio, o Cristo Rei. Monsenhor, Capparelli e Migliorini foram à cata de doações.

Foto: Divulgação

Segismundo Pereira doou três alqueires nos altos da Vila Saraiva. Começaram a construção. Era um desafio. A construção do Cristo Rei continuava. Padre Mário Forestan assumiu a direção da nova obra, pesaroso de deixar a construção do Cristo Rei, que ele administrava. Forestan, entretanto, faleceu logo, vítima de um acidente. Para substituí-lo chegou o padre Nazaré, que continuou as duas obras. Na Vila Saraiva o prédio parou no terceiro andar.

Em 1961, criou-se a Escola Federal de Engenharia e começou a lida para instalá-la em algum lugar. O primeiro lugar escolhido foi a residência do coronel Olympio de Freitas, na Rua Tiradentes, esquina com Felisberto Carrejo. O preço era 30 mil cruzeiros, mas Ismael de Freitas doaria 15 mil. O dr. Genésio de Melo Pereira, presidente da Comissão Instaladora, não concordou. Nair Abumerry foi enviada pelo Ministério da Educação para ajudar a resolver a questão do lugar. Ela concordou com o imóvel. A comissão mais d. Nair aguardavam o dr. Genésio para a decisão. Ele chegava de uma viagem e nem se aprontou para a reunião, chegando cheio de poeira.

Ele sabia do prédio inacabado na Saraiva. Sabia também que os salesianos se interessavam por um imóvel ao lado do Colégio Cristo Rei. Conversou com o proprietário desse imóvel, conversou com os salesianos e aparentemente os salesianos compraram o imóvel e doaram o prédio na Saraiva para a Escola de Engenharia. Não houve essa doação. Genésio comprou o imóvel e registrou direto no nome do Cristo Rei e ganhou o prédio da Saraiva em troca. Ele não gostava que se falasse nisso.

 

Texto: Antônio Pereira
Fontes: Geraldo Migliorini e Genésio de Melo Pereira

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