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O prédio do Congresso e outros vão virar museu

A geração Y é mais antenada, mas a maioria são francoatiradores, utilizam a ferramenta, mas não são capazes de medir o impacto

Foto: Pixabay

O mundo virtual era apenas uma ferramenta, conhecida como internet. Em seguida, redes sociais e, agora, economia das coisas – entre essas “coisas” está também a forma de representação. Muitos empresários, governantes e parte significativa da comunidade ainda não perceberam o impacto da fusão, que se encontra em ritmo acelerado, do mundo físico com o virtual. Aliás, podemos afirmar, sem medo de errar, que as mudanças estão apenas começando. O que pode ser modificado através dessa relação ainda não tem como ser previsto.

A geração Y é mais antenada, mas a maioria são francoatiradores, utilizam a ferramenta, mas não são capazes de medir o impacto. Não sei se será possível medir no futuro. Muitas das descobertas hoje poderão não ter sustentação no longo prazo, porque as consequências não são avaliadas de forma sistêmica.

A mudança em todos os setores já é uma realidade. Alguns prédios públicos e redes de varejo já são vistos como dinossauros contemporâneos. A própria representação política já recebeu há algum tempo o xeque-mate, ou seja, “vocês não nos representam como antes”. Talvez o prédio do Congresso e outros se transformem em museus, onde as futuras gerações vão comentar: “Aqui ficavam pessoas que nos representavam, tinham poder para dirigir a vida do País, e era assim em todos os países, tínhamos até nos municípios modelos semelhantes. Até nos municípios?!”.

Nas escolas virtuais – porque restarão poucas físicas –, professores trabalhando em casa, em clubes e alunos, nas piscinas, não vão acreditar, quando dissermos a eles que havia cartório para reconhecer firmas; que certidão de casamento era registrada e renovável a cada seis meses; e que políticos, a maioria sem preparo, governavam todas as áreas; que a população trabalhava cinco meses do ano para manter máquinas públicas ineficientes e fisiológicas.

E os pais ainda vão dizer: “As pessoas tinham como objetivo acumular riqueza, e não ser felizes, e alguns não cuidavam nem da saúde”. Os jovens de 2050 não vão acreditar nessas histórias de que havia Congresso, Prefeituras e que as pessoas elegiam pessoas, não para governar, mas para cuidar de seus interesses particulares – e uns ainda roubavam, desviavam recursos até da saúde. E o pior: não entendemos por que ainda temos essas estruturas ineficientes. Você, leitor, entende?

 

Editorial – O JORNAL de Uberlândia

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