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Assessoria de Comunicação passa por revolução com a internet

Neste ano, a Serifa Comunicação completa dez anos no mercado e ocupa posição de destaque em seu segmento, em Uberlândia. Com uma equipe de oito profissionais, multidisciplinar, a empresa atende em torno de 25 clientes, desde profissionais liberais a grandes empresas e entidades.

A diretora da Serifa, Analú Guimarães, cuja experiência no jornalismo é vasta, com atuação em TV, revista, jornal e comunicação empresarial, fala um pouco da trajetória da empresa, dos seus diferenciais e do mercado de comunicação em Uberlândia.

Analú destaca também as mudanças no trabalho de assessoria de imprensa nos últimos anos e a importância das redes sociais e da internet na estratégia de comunicação da empresa. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Foto: Divulgação

Fale um pouco da sua trajetória no jornalismo, que culminou no surgimento da Serifa Comunicação.

Sou de Patrocínio, cidade aqui da região, onde o meu pai tem um jornal semanal que completa 45 anos no próximo ano. Então, eu nasci dentro do jornalismo. Acompanhei muito de perto e, pelo exemplo que tive, resolvi também me enveredar por essa área. Vim estudar aqui, fiz jornalismo. Durante a faculdade fiz estágios, trabalhei em TV, jornal impresso e revistas. Gostava muito de escrever. Durante a faculdade foram aparecendo as oportunidades e acabei ficando por aqui depois de me formar. Uberlândia me acolheu muito bem.

Uma grande oportunidade que tive na época foi trabalhar na CTBC, onde conheci a comunicação corporativa. Foi minha primeira experiência e me apaixonei, gostei muito de trabalhar nesse segmento. Fiz assessoria de imprensa, comunicação interna, trabalho de endomarketing – falar com colaborador, fazer jornal interno –, algo que era muito dinâmico, e não quis voltar para os veículos.

 

Essa experiência na comunicação corporativa foi a que levou você a empreender nesse segmento?

Havia dito ao Humberto Paes Leme que queria abrir uma assessoria de imprensa e ele me convidou para trabalhar na Pool Comunicação, mais voltada a eventos. Na época só havia uma assessoria em Uberlândia.

O Humberto sugeriu de eu trabalhar com ele, em vez de abrir uma assessoria. Ele fazendo os eventos e eu, assessoria. Fiquei na Pool por oito anos. Um período como funcionária, depois me tornei sócia.

A gente meio que desbravou esse mercado da comunicação corporativa, oferecendo o serviço para várias empresas e entidades. Na época era algo novo. Aqui, apenas as grandes empresas como Algar, Souza Cruz, que tinham esses departamentos. Assim, passamos a atender a Fiemg, fazíamos eventos. Chegamos a ter um departamento consolidado, empregávamos várias pessoas. Então, depois da G A Comunicação, a gente veio trazendo novas perspectivas.

Sempre gostei de estudar, buscava novidades em São Paulo, procurava saber como era o mercado, o que a gente podia fazer de diferente. Sempre procurei muito investir nisso. Foi dando certo, depois de oito anos lá, resolvi seguir em carreira solo. O Humberto queria fazer só eventos, não queria continuar com assessoria, até porque assessoria tem um custo fixo que se tem na empresa. Então, foi quando abri a Serifa, e já se vão dez anos.

 

Nos Estados Unidos, sem querer comparar, a maioria das empresas possui uma área de comunicação. Aqui, são poucas. Do seu ponto de vista, por que isso acontece?

Já vinha notando na época em que trabalhava na Pool que as empresas começaram a perceber a importância dessa ferramenta. Trabalhar com comunicação, trabalhar com seu público, seja ele interno, de colaboradores, funcionários, seja da comunidade em volta, ou a imprensa. As empresas passaram a ver que não adiantava mais fazer do jeito que queriam. O consumidor mudou muito, começou a ser mais exigente e as empresas tiveram que mostrar os seus diferenciais, até para poder atrair e fidelizar seus públicos.

Uma grande forma de se fazer isso é por meio da assessoria de imprensa e da comunicação interna, uma vez que a empresa tem que falar com seus públicos. Assim, os públicos são diversos, de acordo com cada negócio, e falar com eles nas suas variadas formas começou a ser muito importante.

Atualmente na Serifa temos clientes de todos os portes. Não só as grandes empresas sabem da necessidade, as pequenas também começaram a perceber essa importância. Claro que cada um dentro do seu faturamento, da sua capacidade. Mas elas começaram a perceber a necessidade de se falar. Hoje, muitas empresas já apostam nesse tipo de trabalho. Algumas criaram departamentos próprios para isso, outras terceirizaram. Cada uma do seu jeito. Mas, ainda tem mercado para desbravar, tem gente que não conhece. Acredito que já melhorou bastante.

Nos últimos anos, as empresas perceberam a necessidade de se investir em comunicação, primeiro para que elas mostrem a que vieram, o que fazem, quais são seus diferenciais e também para continuar no mercado.

 

Em relação às crises econômicas, as empresas têm mantido os serviços de comunicação? E o que a Serifa tem oferecido para fidelizar seus clientes?

Antigamente se falava que, quando vem a crise, a primeira coisa que se corta é a comunicação. Às vezes isso é uma realidade, mas vem diminuindo. Posso falar pela Serifa, às vezes estamos em momentos receosos, em que o futuro é incerto. Teve outras épocas de a gente ser o primeiro a ser cortado. Hoje já não é assim. A Orthomed e a CDL estão com a gente há dez anos. Passaram por crises e continuam aqui; em outros tempos, já tinham cortado. Perceberam que realmente dá retorno e é importante.

Hoje nós somos uma agência de comunicação, que é diferente de uma agência de publicidade, que tem que trabalhar com outras ferramentas, mas que não faz só assessoria de imprensa. Assim, a gente trabalha com comunicação estratégica e o nosso carro-chefe é assessoria de imprensa, o que a gente mais tem clientes. Mas, tem cliente que a gente faz de tudo, oferecemos um pacote completo, fazemos comunicação interna, relações públicas, organizamos eventos e, mais recentemente, a parte online.

 

Como tem sido o trabalho de comunicação na parte online, com as diversas ferramentas digitais disponíveis atualmente?

Nessa evolução que começamos a ver, a internet apareceu no meio e percebemos a importância de se ter um departamento nesse segmento. É uma ação recente na empresa, contamos com um núcleo online.

Inicialmente, oferecemos para os nossos clientes que já são clientes de assessoria, uma vez que tem aumentado a procura por empresas que cuidem das redes sociais, do site, do blog de conteúdo especificamente.

Começamos a ter demandas de clientes que não são de assessoria e já contamos clientes somente do núcleo online. Estudamos e percebemos a necessidade de conhecer e entender esse mercado 2.0, que a gente fala.

 

Algo que a gente aprende na faculdade é que o espaço obtido nos veículos, se comparado com o mesmo espaço em anúncio publicitário, propicia uma economia considerável. Como você vê este aspecto?

Costumo dizer para o cliente que o trabalho de assessoria é de médio e longo prazo. Então, se ele vai me contratar achando que não vai pagar aquele espaço, ele não vai ter o mesmo resultado de um anúncio. Porque as ferramentas têm objetivos diferentes. Uma coisa é fazer uma propaganda, outra é estar em um veículo falando em uma matéria, sendo a fonte, uma vez a cada seis meses.

Assim, a assessoria de imprensa tem que ser feita a médio e longo prazo para dar um resultado. Também vai trazer um resultado diferente da propaganda, que é imediato. O objetivo dela é fazer com que você seja uma referência naquilo que você faz e criar uma reputação para aquela marca.

Já a propaganda, dependendo do objetivo, é uma coisa imediata. As ferramentas se complementam. Então isso é algo que faço questão de falar para os clientes: que a comunicação tem que ser feita de forma integrada, não é porque está me contratando que ele vai deixar de fazer propaganda. Tento sempre explicar essa dinâmica para o cliente no contexto geral.

 

Neste ano a Serifa completa 10 anos, oferecendo serviços de assessoria no mercado de comunicação. Qual tem sido a receita de sucesso?

A gente faz algumas coisas que foram fundamentais, a primeira foi levar um negócio como realmente um negócio, profissionalizado. Com o passar dos anos, a gente começou a ter parceiros que nos ajudaram nessa profissionalização. Chegou um momento em que a gente sentiu dificuldade com a parte de capital humano, não tinha expertise, sou jornalista por formação, meu empreendedorismo, vamos dizer, é da vida, mesmo. Então acaba faltando algum conhecimento específico em algumas áreas. Quando percebi, naquele momento, fui atrás de uma empresa especializada nisso, que todo um diagnóstico ajudou em alguns sentidos. A gente sentia que tinha um turn over alto, então começamos a trabalhar nesse aspecto, às vezes não tinha um salário alto, mas trabalhamos benefícios para os funcionários. Melhoramos isso.

Também tínhamos dificuldades na parte jurídica, não entendia mesmo, então contratamos um escritório especializado em Direito Trabalhista, para fazer um trabalho preventivo. Hoje, temos aqui todos registrados, direitinho, mas isso muitas empresas fazem, então, com a ajuda dessa empresa, a gente faz um trabalho preventivo para evitar problemas futuros.

Em outro momento, a gente sentiu uma necessidade de ter uma parceria com uma empresa que nos ajudasse na parte estratégica e de planejamento financeiro. Também buscamos um suporte nesse sentido. Uma das receitas é essa: focar no que você sabe fazer, que é comunicação, falar com públicos diversos, para que a gente tenha resultados efetivos. Esse é o nosso negócio. Não adianta querer abraçar o mundo e querer fazer tudo.

 

O que a agência tem feito para manter e aumentar a base de clientes?

Normalmente, posso dizer que a nossa parte de fidelização é até alta, porque os clientes, quando eles começam e têm essa paciência de trabalhar um período maior, de seis meses a um ano, conseguir manter um investimento, eles começam a perceber os resultados efetivos – e aí não querem parar mais.

Tive até uma experiência, no dia em que fui no cliente, ele falou para mim: “O administrador aqui fez um diagnóstico e falou que precisava cortar um monte de coisa, enxugar bastante. Então, falei para ele: você pode enxugar qualquer coisa, menos a Serifa”.

Isso demonstra que ele sabe do resultado, se não desse retorno, poderia muito bem cortar. Então, a gente trabalha muito focado. Nosso objetivo é atender com qualidade, os clientes vêm por indicação, vêm muito pelo trabalho que a gente faz e pelo que a gente entrega. Esse é o melhor resultado. Também fazemos trabalho de prospecção. Empresas que estão chegando e que poderíamos oferecer nossas ferramentas.

 

Uberlândia tem se destacado no cenário nacional em vários setores. Isso tem acontecido também na sua área?

Na área de comunicação, a gente não é tão visto. Às vezes, não ficamos sabendo muita coisa, mas existem muitos cases legais, muitas empresas legais. Não vou falar só de assessoria, mas a gente tem muita agência boa, muitas produtoras aqui em Uberlândia de vídeo que ganham prêmios nacionais.

Acredito que a nossa área de comunicação é uma área muito bacana, que tem muita gente boa trabalhando com as agências de comunicação, apesar de a gente ser um pouco mais restrito. Quem está no mercado, está procurando, está buscando oferecer o melhor. Claro que a gente tem alguns entraves, que acho bom falar. Hoje sou uma empresa que tem uma estrutura que ofereço ao cliente, trabalho com profissionais qualificados, com tudo legalizado, e isso faz a gente ter um custo maior, aí a gente acaba enfrentando um pouco de uma concorrência desleal, que acontece também em outros setores, de forma generalizada.

Costumo falar para os colegas de uma forma geral que tem mercado para todo mundo, não quero atender todo mundo sozinho, não consigo também, não quero ter nada gigante. Mas, todos têm que entender a importância da ferramenta e valorizá-la. Não é só você ir ali e pegar um job para fazer uma vez. A ideia é ter clientes que permaneçam e que percebam os resultados porque a ferramenta é boa. Mas ela precisa ter paciência e precisa ser bem feita.

 

O nosso JORNAL tem encontrado boas parcerias nas assessorias e uma perspectiva positiva. Você acredita nessa tendência?

Claro. Não existe assessoria de imprensa sem parceria com veículos, e quando falo parceria, é de mão dupla. Aqui na Serifa – e falo só por nós – a gente tenta trabalhar com material de qualidade, com estratégia para oferecer ao veículo o que ele realmente precisa e que seja bom para ambas as partes.

A parceria é muito importante, não adianta uma assessoria querer sobreviver se ela não é parceira do veículo. É de extrema importância a gente ter os veículos do nosso lado, com a gente, mas de forma que a gente atenda às necessidades dele.

Costumo falar que a gente tem dois clientes: um é o que nos contrata e paga no final do mês o valor do contrato, o outro é o jornalista. A gente também vê o jornalista como um cliente. Também tenho que oferecer o melhor para ele. Está no nosso DNA, isso também é o resultado de estarmos há 10 anos no mercado.

Quando a gente fala de trabalhar estrategicamente, a gente estuda o veículo. Entendo o que um determinado programa precisa, quais os quadros que ele tem, para oferecer sugestões específicas.

 

Texto: Leonardo Leal

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