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Um brasileiro muito otimista!

Curti intensamente a década de 1960. Ao Verdão, com um time de encher os olhos de alegrias, era vetado ser campeão mineiro. Tudo estava embaçado.

Foto: Divulgação

Tabelas dirigidas, nas quais os grandes não saíam da capital. A televisão ignorava o futebol, queria apenas colocar em suas grades melosas novelas. Quem apitava, não possuía independência. Sempre dependia de alguém ligado às equipes de Belo Horizonte.

As rádios não conseguiam esconder suas preferências clubísticas. As primazias ressaltavam a olhos claros.

A gente até achava graça. Quando acontecia gol do Verde, os locutores da Capital das Alterosas narravam assim:

– Gol de Fazendeiro.

– Cabeçada de Ferreira, gol do time do Triângulo.

Esse ranço contra os times de Belo Horizonte prevalece até hoje, principalmente na classe nascida nos anos 50 a 60. Foram mágoas, injustiças e garfadas escancaradas sofridas pelo Furacão Verde da Mogiana, na época. Conheço atualmente alguns jovens com esse mofo na alma, vindo de seus pais, e que prevalece.

Restava-nos curtir ser campeões do interior. Algo pouco demais, pelo potencial do Furacão.

Como o tempo é o senhor da razão, as novas gerações foram chegando e exigindo transparências.

A televisão descobriu que o futebol tratava-se de um veio de ouro. Agarrou-o como um cãozinho a um osso. E… não largou mais.

A modernidade avança. E com a adesão do vídeo, pelo futebol, ficará mais difícil a metida de mão grande nos interioranos.

Com uma competição mais equânime, as disputas serão intensas. Haverá um oceano de emoções. E as agremiações fora do eixo de Belo Horizonte, sendo fortes, abastecerão as equipes mais ricas.

O dinheiro circulará com intensidade, oxigenando todo o futebol mineiro.

Os poderosos dirigentes corruptos estão caindo como pedras de dominó, consequentemente, os talentosos artistas das quatro linhas dos gramados não terão barreiras para ofuscar seus brilhos.

Uma prova cabal de confiança na lisura do torneio mineiro é do Uberlândia Esporte Clube.

Investe com coragem em contratações arrojadas, crendo que valerão os resultados da bola rolando.

Oxalá, esse febre de mudanças para melhor continue crescendo e empolgando os amantes do esporte!

 

Texto: Lucimar César

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