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Zagalo: o fujão

Foi no dia 5 de março de 1978. O presidente do UEC era o dr. José Aparecido Martins. Uberlândia foi visitada pelo grande Botafogo, dirigido pelo tricampeão Zagalo. O Bota vinha de 20 vitórias consecutivas, que ampliou até 40. Um sucesso. O técnico do UEC era o Neiriberto, ex-atleta, um marco e um símbolo do time. O Juca Ribeiro ficou lotado, mais de 20 mil torcedores.

Foto: Divulgação

Mal começou o prélio, o UEC mostrou que superava a sua inferioridade e ameaçava a invencibilidade do seu glorioso rival. Vejam bem com que time o Botafogo jogou: Zé Carlos, Perivaldo, Osmar, Fred e China (Ademir); Luizinho (Wels) e Mendonça; Dé, Nilson Dias, Ademar  (Mário Sérgio) e Paulo César (o Caju). Só dois titulares estavam ausentes: Rodrigues Neto e Gil, convocados para a Seleção Brasileira. Gil era aquele mesmo que foi ponta do UEC. O árbitro era o sr. Hélio Cosso, já falecido, da Federação Mineira e da CBD.

Aos 25 minutos do primeiro tempo, Odair, que veio do Corinthians Paulista, fez o nosso primeiro gol. No segundo tempo, o Bota veio com tudo, numa reação assustadora, e logo aos quatorze minutos empatou, com Nilson Dias. Foi alegria de curto prazo. Aos dezenove minutos, Ferraz desempatou de novo. Voltamos à frente: dois a um, mas o endiabrado e irreverente Dé empatou de novo aos 35 minutos. O Botafogo resolveu segurar o resultado por aí. Bola pra lá, bola pra cá, o que deu oportunidade para o Uberlândia crescer e morar dentro da área dos cariocas. Uma falta perto da grande área do Bota é batida por Ferraz e é desviada com a mão pelo Mário Sérgio dentro da grande área. Cosso não teve dúvida: indicou a marca da cal – pênalti. Aos 44 minutos do segundo tempo! Aí virou bagunça. E é, não é, o juiz, inflexível. Paulo César Caju, aquele enjoado (mas bom de bola), reuniu o time no centro do gramado, conversou, foi ao Zagalo, cochichou alguma coisa e o técnico tirou o time de campo. Foram vaiados, xingados, buchados, mas saíram. Indignado, o presidente Cidão pagou todas as despesas de responsabilidade do UEC, viagem, estada, alimentação, etc., menos a quota de 150 mil cruzeiros que depositou na FMF, exigindo justificativas válidas do Botafogo para receber.

O time que espantou o fujão foi: Ernâni, Geraldo (Macalé), Dias, Chico Amorim e Zezé; Carlos Alberto e Paulinho; Odair, Rubinho, Gil e Ferraz. Lembram?

 

Texto: Antônio Pereira da Silva – do IAT
Fontes: Jornais da época, José Ernani da Silveira e dr. José Aparecido Martins

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