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Lucas Mendes fala sobre impacto das novas tecnologias na sociedade, marketing digital e gerenciamento de crise

Com 15 anos de atuação no segmento de Tecnologia da Informação e Marketing Digital, o diretor de tecnologia d’O JORNAL de Uberlândia, Lucas Mendes, destaca a importância que o investimento nesse setor tem alcançado. Com uma atuação em empresas de tecnologia, ele compartilha um pouco da experiência adquirida e fala sobre os oito meses d’O JORNAL de Uberlândia, que alcançou 120 mil acessos em outubro.

Mendes ressalta que o marketing digital inova, possibilitando às empresas direcionar seus produtos e estratégias, ao mesmo tempo em que abre espaço para pequenos empreendedores divulgarem seus produtos. Hoje, as empresas encontraram um meio de interagir diretamente com seu público, que passou elogiar, criticar e acompanhar ações de pessoas e instituições pela internet.

Ele destaca a rapidez com que um fato positivo ou negativo se espalha na rede e cita o exemplo de uma ação de gerenciamento de crise por uma fábrica de bebidas. Por último, Mendes apresenta recomendações para as empresas se sobressaírem neste setor e também as ações de segurança digital. Confira a entrevista a seguir.

Foto: Lucas Mendes

Fale um pouco sobre a sua formação na área digital e trabalhos relacionados a esse setor.

Sou um entusiasta na área de tecnologia desde adolescente. Com 15 anos de idade fiz meu primeiro curso de programação, quatro anos depois fiz minha graduação em Sistema de Informação. Ao finalizar a faculdade, senti a necessidade de melhorar meu conhecimento na área de gestão e marketing, logo depois cursei, na FGV (Fundação Getúlio Vargas), o MBA Executivo Internacional com ênfase em Gestão Empresarial, com extensão na UCI (Universidade da Califórnia Irvine).

Durante a graduação trabalhei em empresas com foco em tecnologia, dentre elas estão ArchITettura, SWB e TQI. Neste período tive a oportunidade de participar de grandes projetos para bancos, fintechs e empresas de grande porte, exercendo diferentes papéis, como arquiteto de sistema e analista de negócio.

Em 2016, fui executivo da TOTVS, que atualmente é a maior empresa de sistema na América Latina. Outras frentes de trabalho das quais tenho participado e continuo colaborando são o Instituto Latino, uma empresa de consultoria e pesquisa de mercado; e a Ipon, uma indústria e comércio dos quimonos da marca Kime. A Ipon foi uma das primeiras empresas a utilizar e-commerce como canal de venda.

Qual a diferença entre o marketing tradicional e o digital? Quais as inovações que a tecnologia trouxe para o marketing?

Marketing é o conjunto de ferramentas que visam entender um mercado e melhor atendê-lo. Nele analisamos todo o contexto em que um produto ou serviço irá atuar. Logo, essa análise influenciará sua criação, disponibilização, consumo e pós-consumo.

Hoje, temos um consumidor que exige ser compreendido como único, que não aceita ser visto como parte de um grupo geral. Isso só é possível de ser realizado em grande escala através do meio digital, pois é um canal que permite analisar comportamentos dos usuários e atender de forma direcionada. Esta é a primeira inovação: entender as peculiaridades de cada pessoa e entregar algo único.

A segunda e maior inovação tem sido de as redes sociais permitirem realizar propagandas de forma simples e descomplicada, em que um simples brechó consegue divulgar seus produtos com eficiência.

Quais estratégias e ações você tem desenvolvido n’O JORNAL de Uberlândia, um veículo que nasceu online e com uma proposta voltada para o digital? Como você avalia os resultados alcançados até o momento?

Somos um jornal que foi criado para ser digital, e não um jornal digitalizado. Isso faz toda a diferença, pois a forma de comunicar no meio digital é diferente do jornalismo impresso. O desafio é ir além de um conteúdo bem escrito: é entregar algo que seja objetivo. As pessoas têm a necessidade de muitas informações, mas têm pouco tempo.

Sobre nossos resultados, tínhamos a expectativa de ter um engajamento relevante após 2 anos, mas em 8 meses já atingimos a marca 120 mil acessos, no mês de outubro. Ficamos muito surpresos. Acredito que este êxito é uma resposta ao bom trabalho desempenhado e devido à população ter se identificado com o conteúdo que O JORNAL e os colunistas produzem.

Atualmente, as redes sociais têm construído ou destruído profissionais em tempo recorde, nem sempre de forma justa. O que deve ser feito?

O construir geralmente é uma identificação imediata do público com o personagem, dentre estes, temos diversos youtubers e blogueiros que acertaram no conteúdo e na forma de transmitir este conteúdo.

Sobre destruir, primeiro é evitar ser notícia. Jamais grave algo que pode te colocar em constrangimento. Caiu na rede, não tem volta.

Seja ético, faça sua parte. Caso receba conteúdo que você sabe que não corresponde com a verdade ou que seja algo que constrange alguém, não compartilhe.

Mas se virou notícia, já compartilharam, o jeito é remediar. Existem algumas formas de atenuar os efeitos com gerenciamento de crise. Um bom exemplo é o caso que “queimaram na rede” a bebida Catuaba, com um vídeo em que um jovem e sua amiga supunham que existiam vermes dentro das garrafas da bebida. A empresa que produz a Catuaba entrou em contato com o autor do vídeo, o chamou para conhecer o processo de fabricação da Catuaba e mostrou a ele que eram normais os resíduos, e não eram vermes. O jovem que fez o vídeo destruindo postou outro vídeo se retratando e elogiando a indústria. (Segue o link sobre o caso:  https://exame.abril.com.br/marketing/catuaba-selvagem-da-aula-em-gerenciamento-de-crise/)

Como uma empresa pode aproveitar os potenciais e as inovações das ferramentas digitais, desde os novos aplicativos às redes sociais?

Podemos dizer que grande parte da população ativa tem um smartphone com internet. Sabendo disso, uma empresa que não existe no meio digital não será achada. Hoje é obrigatório as empresas terem um site profissional, cadastro no Google My Business, página no Facebook e Instagram.

Muitas empresas não entenderam ainda que o meio digital é exatamente igual ao meio físico quando se fala em investimento. Quando uma empresa abre uma filial, ela acha normal investir com o aluguel de uma sala, reforma, pintura, aquisição de móveis, mudar a fachada, ou seja, investir em estrutura. No meio digital é igual! Tem custos. As pessoas ainda acham normal uma pintura custar dois mil reais, mas têm dificuldade em investir a mesma quantia em algo digital.

Os custos para investimentos digitais ainda são baixos, se comparados com os investimentos num espaço físico, mas logo isso irá mudar conforme aumentar a quantidade de ofertantes. No meio digital, ainda é possível os pequenos competirem com os grandes empresários. Não garanto que no futuro será assim.

Como você vê a relação entre o jornalismo e as novas mídias?

É um desafio para o jornalismo tradicional se adaptar a uma nova forma de se comunicar e, devido às novas mídias se tratarem de meios dinâmicos, em que os feedbacks são imediatos, a responsabilidade tem aumentado. Como foi dito anteriormente sobre construção e destruição de profissionais, tanto sucessos quanto erros na internet não têm volta.

É visível que as principais mídias estão se sentindo ameaçadas. Isso tem feito os veículos se adaptarem. É possível prever formatos futuros?

No Brasil, iniciar um canal de TV ou faixa de rádio é algo para poucos. É necessário influência e muito dinheiro. Com a era da internet, o jogo mudou. Pequenas empresas conseguem ter visibilidade igual à de grandes empresas.

Nas redes sociais o espaço utilizado pela Rede Globo é exatamente igual ao espaço usado por uma empresa de cifra de músicas. Não faço esse exemplo ao acaso, pois podemos fazer um comparativo real. A Rede Globo tem no Facebook 13 milhões de seguidores e a Cifras (site nacional de cifras de músicas) tem 40 milhões de seguidores. Isso mostra que as pessoas dedicam suas atenções com liberdade; hoje a relevância de conteúdo é o que tem gerado o sucesso.

A ameaça é real e também é verdade que as principais mídias estão se adaptando. A própria Rede Globo já tem se mostrado presente em todas as redes sociais, possui aplicativos, dentre eles um de grande sucesso, que é o Cartola. Outro produto dela que considero mais promissor é o Globo Play.

Além da questão do marketing, a segurança dos dados passou a ser de fundamental importância para as empresas. Por esses dias a proprietária do Uber revelou que houve vazamento de 57 milhões de dados de usuários. O que as empresas devem fazer para se proteger de ataques e vazamentos?

As empresas devem ter uma preocupação constante sobre segurança. Investir em antivírus, ter rotinas de backup, manter sistemas atualizados, planejar ações caso ocorram ataques, dentre outras medidas. Para prevenir é aconselhado contratar profissionais que entendem sobre o assunto e criar estrutura e política de segurança.

Texto: Leonardo Leal

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