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Bebida alcoólica – você pode ser a próxima vítima!

Não percebemos, mas existem muitas pessoas doentes ao nosso lado, e nós podemos ser uma delas ao lado de alguém.

Foto: Sebastião Barbosa

No âmbito das ciências jurídicas, estudamos e avaliamos o comportamento do indivíduo, a convivência humana e os fenômenos sociais, sob a ótica da legalidade ou da ilegalidade.

Recentemente, o direito tem recorrido mais à medicina para definir e classificar condutas, aparentemente, ligadas exclusivamente à personalidade, mas que na verdade são de cunho patológico.

Os reflexos do uso de bebida alcoólica, olhando pela perspectiva do hábito e da autorização legal, não causam nenhuma repulsa ou crítica negativa; pelo contrário, há um forte apelo comercial e uma dinâmica nos relacionamentos que inclui o álcool como um complemento natural e agradável.

Aceitamos os desvios de conduta provocados pela embriaguez até o ponto de não nos vitimar de alguma forma, seja num acidente de veículo, seja numa agressão física ou em atos sem controle, que causam vários danos e podem durar uma vida toda.

Não podemos pensar só na hipótese de sofrer o dano, mas também de sermos os causadores.

As estatísticas, com altíssimos índices, de eventos terríveis ocasionados pelo uso de bebida alcoólica, deveriam surpreender e comover os legisladores a repensarem  as leis que autorizam essas propagandas “encantadoras” e, por outro lado, investir na conscientização dos malefícios, como foi com o cigarro. E o principal: ALERTAR todo o sistema de saúde da urgência em promover diagnósticos em pessoas doentes que ainda não se reconhecem como tal.

No entanto, o mais relevante é que não podemos fixar nosso olhar só no comportamento. Na maioria das vezes as pessoas que “perdem o controle” pelo consumo de álcool são, de fato, doentes.

Aqui, não nos referimos à patologia do alcoolismo ou outra forma de dependência (estas são bem divulgadas), mas ao transtorno compulsivo, relacionado a vários fatores, que leva as pessoas à DIPSOMANIA (do grego dípsa, sede, e manía, loucura, mania), doença pouco conhecida.

Apontamos algumas das principais definições, segundo tratados científicos:

“A DIPSOMANIA é uma compulsão desordenada, a pessoa é invadida por um estado de ânimo indefinível e penoso, o qual acaba sempre por arrastá-la a eventual consumo incontrolável de grandes quantidades de bebidas alcoólicas, diferente do alcoólatra ou alcoolista.

Em determinado momento, após sono prolongado ou subitamente, ela volta à situação anterior de normalidade, podendo haver esquecimento dos fatos, e ficar dias, meses, sem beber novamente.

Exatamente por não haver um padrão característico à doença alcoolismo, o dipsomaníaco não se compara a um alcoólatra.

É uma doença? Sim, é. E deve ser tratada como tal. Os familiares devem estar atentos à possibilidade de não se admitirem respostas como: ‘Não bebo todos os dias, só bebo socialmente’.

O dipsômano é uma pessoa com vida normal – com quadro de ciclotimia – mesmo contra seus desejos e propósitos, pode beber um dia inteiro. Em dado instante a crise é superada e a pessoa volta à situação anterior de normalidade, geralmente com amnésia do ocorrido.”

Diante desses conceitos, podemos concluir que, durante as crises, essas pessoas podem sofrer e causar traumas irreversíveis, muitas vezes tipificados como CRIMES.

Será que temos alguém assim entre nossos conhecidos?

Fiquem atentos, existe tratamento, não vamos deixar a falta de conhecimento fazer mais vítimas do álcool.

 

Texto: Dr. Sebastião Barbosa e Silva Junior

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