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Você ouviu Draw the Line?

 Gravado num convento, o quinto álbum do Aerosmith completa 40 anos de seu lançamento

Anderson Tissa, autor da coluna “Vida Longa, Baby”.
Imagem: Douglas Luzz

Sempre tive uma relação de amor e ódio com o Aerosmith. Demorei aceitar a banda, fato que se sucedeu apenas depois de ouvir a coletânea Big Ones, lançada em 1994. Aí abriu a porteira. Passei a procurar o máximo de músicas da banda. Nos anos 90, ainda não tínhamos o YouTube e muito menos os serviços de streaming, sem falar que os discos eram muito caros.

O lance era vasculhar nas feiras livres e tentar encontrar alguma K7 pirateada pelo dono da banca. A variedade de estilos era enorme. Recordo-me de me deparar com uma “fita” do Tonho Matéria. E pior, comprei. Para quem não conhece, trata-se de um cantor soteropolitano de muito sucesso em sua terra natal. Seu maior hit Samba Duro (Melô do Tchaco) é conhecido pelo refrão prazenteiro e envolvente, que nos dias de hoje seria interpretado com duplo sentido, mas que na verdade não faz sentido algum: Tchaco, eu tô em cima eu tô em baixo! Tchaco, eu tô em cima eu tô em baixo! Tchaco pra frente, Tchaco pra trás. E vai pra frente e vai pra trás. É um gênio.

Foi numa dessas buscas que comprei Jorge Ben Jor pela primeira vez e encontrei a K7 Big Ones, do Aerosmith. Na época, o cliente comprava 3 fitas por R$ 5.00, algo do tipo. Aproveitei para levar o Samba Poconé, do Skank. E durante a audição desses três álbuns que me tornei fã da banda americana e da mineira. Do Ben Jor, eu já era fã.

De lá pra cá ouvi todos os álbuns do Aerosmith. Os meus cinco preferidos na ordem do melhor para o menos ouvido são: Pump (1989), Permanent Vacation (1987), Toys in the Attic (1975), Get a Grip (1993) e Rocks (1976). Outro que ouço muito e uma galera torce o nariz é o Nine Lives (1997), mas eu gosto bastante.

O que menos ouvi é o aniversariante do dia, Draw the Line. A própria banda parece não gostar do disco de 77. Joe Perry, o guitarrista, afirmou que este álbum foi o “começo do fim da banda”. Outro ponto negativo era o estilo de vida dos integrantes do Aerosmith, naquele ano todos eram dependentes de álcool e drogas, tanto que o empresário os trancou num convento para gravar o disco. Não foi uma boa ideia. As drogas podem ser importadas e aquele punhado de quartos, certamente, ficaram lotados de groupies fantasiadas de freiras.

Para piorar, a revista Rolling Stone criticou o álbum como “um registro verdadeiramente horrível, caótico e com um som quase impenetrante”. Mesmo assim, apesar do cenário nada promissor, Draw the Line foi platina duplo e vendeu um milhão de cópias em sua semana de lançamento.

Um disco ruim, muito criticado e que nunca foi encontrado numa feira livre, superou as expectativas comerciais, alcançando números exorbitantes, completa neste 1º de dezembro 40 anos de sucesso.

Há coisas no rock que não dá pra entender.

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