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Até no futebol as tradições vão embora em nome da modernidade!

Ouvi uma palestra de um renomado comentarista esportivo, na qual ele lamenta não conseguir entrevistar um craque badalado, em virtude de o empresário do atleta, caprichosamente, não simpatizar com esse homem da mídia.

Foto: Divulgação

Segundo ele, esse astro do futebol obedece piamente seu procurador, receoso por represálias.

Vejam o poder desses abutres no esporte mais amado dos brasileiros, modalidade esportiva que levou o Brasil a ser mais conhecido e admirado nos quatro cantos do planeta.

Lembro-me, da época, de quando o Hotel Colombo e logo depois o Hotel Presidente eram os mais elogiados da cidade.

O Verdão, na sua culminância, presenteava seus torcedores com amistosos fantásticos contra as melhores equipes da Terra.

Aqui se apresentavam Cosmos de Nova York, Santos, Botafogo, Flamengo, Seleção Soviética, Galo, Raposa, Fluminense, Vasco da Gama.

Nas vésperas dos jogos, era habitual o público ir à Praça da República, hoje Tubal Vilela, curtir seus ídolos.

Inúmeras vezes, eram vistos brincando com as crianças ou jogando uma queda de damas com os velhinhos, Garrincha, Pelé, Tostão, Dirceu Lopes, Didi, Zagalo, Piazza, Manga, Rivelino, na maior naturalidade.

Foram ocasiões tão felizes que quem curtiu esses momentos pensa não ter sido realidade, mas sim, um sonho.

Nesse período o Brasil era o centro do universo quando o assunto abordava futebol e suas adjacências.

Em quatro Copas do Mundo disputadas em 12 anos, vencemos 3, com os pés nas costas.

Não importava com quem a Seleção Canarinho se defrontava. A massa torcedora queria ver e aplaudir Garrincha, Pelé, Tostão, Rivelino e outros monstros sagrados tupiniquins.

Os ônibus das equipes chegavam com seus atletas nos estádios e desembarcavam seus craques no meio do povo. Ocorria até uma certa demora para adentrarem o estádio, devido ao carinho recebido na multidão.

Como tudo mudou! Presentemente quem dá entrevistas é escolhido pela diretoria e sua fala é decoreba pura, anteriormente ensaiada. É um tal de o time está unido, estou aqui para somar, o professor está com o grupo na mão, na próxima venceremos, a bola não quis entrar, tivemos uma boa posse de bola…

A alternativa é cada vez mais os fãs do esporte inventado pelos ingleses, incluindo nós, estarmos alertas, lutando contra as aberrações que tentam embaçar a beleza de nossa paixão.

Uma grande ocasião surge em 2018 na Copa do Mundo na Rússia, no sentido de expor nosso talento. E novamente inovar, revolucionar e extasiar o universo, com nossa beleza nas quatro linhas verdes mágicas, conforme o fizemos em 58, 62 e 70.

Avante, Brasil!

 

Texto: Lucimar César

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