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Zé Maria

O programa “Uma Voz e Um Violão”, da TV Triângulo, Canal 8, aproximou Jotabê do Zé Maria. Quando soube que o Zé era violonista, Jota convidou-o para visitá-lo.

Foto: Divulgação

Em casa, deu-lhe um violão velho e pediu que tocasse alguma coisa. Zé ficou uns vinte minutos fazendo variações em cima do “Coimbra” (fado de Raul Ferrão e José Galhardo). Na hora, Jotabê propôs ao Zé formarem uma dupla: Zé no violão e Jota cantando e batendo pandeiro. E saíram por aí, tocando em rádio, em show, em aniversários, reuniões rotarianas, TV etc.

O Jota taí, graças a Deus, mas o Zé já se foi. Nasceu em Ituiutaba. Funcionário do IBGE, morou em Tupaciguara e em Uberlândia, sempre envolvido com música. Era irmão do Seninho que jogou no Fluminense ao lado de Castilho (goleiro da seleção), Pinheiro, Telê Santana. Tio do Badiinho do Conservatório Musical de Ituiutaba, que é pai do Luiz Cláudio, ex-“Só Pra Contrariar”. Remy Couto, virtuose professor de violão, passou sua técnica e conhecimento ao aluno Zé Maria. De boa formação musical, Zé Maria jamais se esqueceu de sua identidade regional e fez da viola a companheira em seus retiros sertanejos. Compôs um clássico: “Expresso Boiadeiro” – gravado por muitas duplas.

Era também cantor afinado. Sabia de cor o repertório seresteiro da época de ouro da MPB. Certa ocasião, a dupla Jotabê e Zé Maria foi cantar na festa de aniversário de Tupaciguara. No caminho, o Zé compôs um hino pra cidade, os dois ensaiaram durante a viagem e o apresentaram no show que deram. No fim da vida, Zé Maria tornou-se evangélico e abandonou a música profana, para grande prejuízo dela. Em seguida, teve Alzheimer, que o levou à morte, com largo prejuízo para as artes musicais do País. Quando faleceu, seu ex-aluno, professor universitário, engenheiro e sociólogo Ezalmone Moreira dos Santos (também falecido) publicou no Correio uma crônica cheia de saudades do grande mestre, exímio violonista que tanto solava quanto acompanhava e compunha maravilhosamente.

Fontes: Ezalmone Moreira dos Santos, João Batista da Silva (JB)

 

Texto: Antônio Pereira Silva

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