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O Foco da Indústria

Não há como desenvolver, se o governo brasileiro e a maioria dos setores produtivos estão remando contra o momento em que vivemos. Temos algumas empresas que são referência nas suas atividades. Mas isso ainda não é suficiente para acordar aparentemente o gigante chamado Brasil.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

O problema é que o país esta indo. Quem está dormindo é a maioria dos brasileiros, porque o investimento externo está acontecendo de forma planejada na maioria das atividades, mas não se encontra relacionado com o que faz diferença para a maioria da população brasileira.

Os países classificados como desenvolvidos estão focados em competitividade, cujo requisito é a educação, consequentemente em tecnologia, inovação de valor. Quem possui educação é competitivo.

No Brasil, o que predomina, e não é de agora, é a luta pelo poder, corrupção. A nossa preocupação ainda é de lutar pelo básico, como saúde, educação, segurança e até com estradas, assuntos que deveriam estar fora da pauta, para quem paga tantos impostos.

A maioria dos setores produtivos não são pró-ativos, porque estão centrados em se defender de quem deveria ser parceiro, que é o governo que ele elege com o voto e com o financiamento das campanhas. A grande preocupação dos setores brasileiros não é com a competitividade, mas com a carga tributária, juros altos, burocracia, guerra fiscal e câmbio, que não permite criar vantagens competitivas para permanecer no mercado internacional. É bom lembrar que o modelo clássico está em extinção, não teremos em um futuro próximo a divisão de mercado interno e externo, teremos apenas uma opção: mercado mundial como comprador ou vendedor.

Um dos setores em que já atuei, o da indústria do couro, a preocupação tem sido em taxar o couro em seus primeiros estágios, para agregar valor aqui e não mais vender commodity, com a restituição dos créditos de exportação, direito do exportador, mas retidos pelo governo e com atritos internos da cadeia. Tal atitude tem desviado o foco do setor, quando este deveria discutir ações que permitam ser mais competitivo, mais globalizado. Recentemente, agravou essa problemática com a política cambial. Se o que se vê pode ser chamado de política. O modelo adotado funciona quando o governo faz o seu dever de casa, mas em um país onde a inflação é controlada com juros altos e câmbio com variação acima do normal, não se pode considerar que estejamos fazendo a opção para crescer.

Mas é importante que os setores da economia, como o do couro, café e outros, façam uma avaliação de postura, e não deixem que o macro ambiente político e econômico domine as pautas de reuniões e seus planejamentos estratégicos. É necessário reservar tempo e energia para a discussão de estratégia competitiva, e na educação da cadeia produtiva em que está inserido.

Os grandes setores da nova economia já não dão a importância aos governos como faziam antes, pela sua organização e importância nos contextos em que atuam. Se o governo atrapalha, mudam do país.

 

Texto: Hélio Mendes
Consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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