Destaque Editorial Expresso

A Federação do Café do Cerrado e a política

Dedicamos este editorial a uma das culturas que tem contribuído não apenas com a nossa região, mas com o abastecimento de vários países: o café.

Foto: Pixabay

Um alimento saudável para milhões de pessoas. Podemos ficar sem muitas coisas, mas é difícil ficar sem o nosso bom café. O Brasil é o maior produtor mundial de café, e a região do Cerrado se destaca neste setor.

No último dia 7, na cidade de Patrocínio/MG, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado se reuniu para construir o Pilar Político do seu Planejamento Estratégico. Estiveram presentes representantes de todas as cooperativas e associações do Café do Cerrado, que têm sido pioneiras com sucesso nas práticas na área da produção.

Os produtores de café, como os demais segmentos nacionais, estão preocupados com o cenário político, com os gravíssimos acontecimentos que têm atingido as atividades básicas como saúde, segurança, logística e principalmente a geração de empregos. Os brasileiros reconhecem que o Agronegócio tem feito sua parte, mas a classe política não tem reconhecido o setor do café como ele merece – essa foi uma das conclusões do seminário.

O presidente da Federação, Francisco Sérgio de Assis, destacou no encontro que a Federação não tem partido, mas não pode deixar, neste momento de reconstrução do processo democrático, de participar de forma efetiva, não só pelo que está acontecendo no País, mas também pela nova dinâmica mundial, em que a geopolítica está mudando de formato nos aspectos político, econômico, tecnológico e social – o que exige um novo modelo de negócios e de fazer política.

A construção do Pilar Político teve como base um estudo de conjuntura realizado no mês de novembro pelo Instituto Latino de Uberlândia, representado no encontro pelos consultores Prof. Hélio Mendes e Lucas Mendes. Realizou-se uma pesquisa qualitativa de profundidade, na qual foram entrevistados por amostragem dois prefeitos, dois deputados estaduais, dois federais e dez presidentes ou executivos de cooperativas ou associações.

O estudo de conjuntura apresentado pela consultoria, na primeira etapa dos trabalhos, deixou muito claro que houve um distanciamento nos três planos de governo – municipal, estadual e federal – entre a classe empresarial e a política: a primeira não apresentando projetos e participando só na última hora das campanhas, e a dos políticos, se dedicando mais à busca de emendas. Trocaram a função real, que é de fiscalizar o Executivo e apresentar bons projetos, para a de despachante de prefeitos ou de algumas empresas. Ou seja, o empresário se dedicou apenas à produção, que o afastou da política; e o político, a atender favores, e deixou de realizar a sua função principal. E deu no que está aí.

A segunda parte do encontro foi orientada por um roteiro estratégico no qual foi discutido o estudo apresentado e as ações que deverão ser iniciadas nos próximos 30 dias, com destaque em 2018, mas considerando o longo prazo. No término do planejamento, o presidente Francisco Sérgio de Assis concluiu que a região deve exigir mais dos representantes políticos, como faz na produção do café, em que não se abre mão da qualidade. O setor analisou todos que são votados na região, não apontou nomes para 2018. Haverá mais três encontros em 2018. Foram definidas várias ações de curto, médio e longo prazos, que deverão ser iniciadas já nos próximos trinta dias.

O setor do café defende maior união entre as cidades produtoras, entre os elos da cadeia produtiva; o fortalecimento de outras regiões, os estados brasileiros que produzem café e o Conselho Nacional do Café. O Cerrado brasileiro vai participar para a boa política, que tem como função o bem comum, e começa por melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram nos municípios – porque é neles que começa, de fato, a política.

 

Editorial – O JORNAL de Uberlândia

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