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Entidades desaprovam reajuste de 19,8% dos salários dos vereadores

Uberlândia já tem o maior salário do Legislativo na comparação com cidades de porte semelhante

Foto: Divulgação/ CDL

Entidades da cidade ouvidas por O JORNAL de Uberlândia como a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Unedi (União das Empresas do Distrito Industrial) desaprovaram o reajuste de 19,8% nos salários dos vereadores. Eles recebiam R$15.031,76 e, a partir de primeiro de janeiro passam a receber R$ 18.007,88. Em comparação com cidades de porte semelhante Uberlândia já paga mais aos seus edis. Em Contagem na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, os vereadores recebem R$ 12.459,92 e em Anápolis (GO), o salário é de R$ 10.571,40.

O presidente da CDL, Cícero Heraldo Novaes, destacou que na iniciativa privada, os salários têm sido reduzidos. “Não é prudente, mesmo não tendo aumento desde 2013, majorar em quase 20%. Isso é muito acima do que outras categorias estão recebendo hoje. Quantas pessoas na iniciativa privada tiveram seus salários rebaixados porque foram mandados embora e só conseguiram empregos num nível mais baixo, muitos ainda estão desempregados”, afirmou.

Ele lembrou também que além do salário, os vereadores têm direito a 15 assessores que elevam o custo que é pago pela sociedade. “Quando você vê uma elevação de salário relativamente alto em um momento de crise, com tantos assessores é realmente uma situação calamitosa. A população não vê com bons olhos”, acrescentou.

Já a presidente da OAB, Ângela Botelho, ressaltou que nos acordos coletivos que realiza com sindicatos e empresas o reajuste para os trabalhadores têm sido inferior a 5%.  “Não concordo, não podemos coadunar com esse tipo de ajuste em função do momento atual de recessão, crise e desemprego. Há pessoas não tendo nem o que comer, e agora aumenta em 19% o salário do vereador”, afirmou.

Em relação à área pública, a presidente levantou a questão de que diversos candidatos que passaram em concursos há quatro ou cinco anos não foram chamados e que essas pessoas precisam trabalhar. “Para chamar as pessoas eles não chamam, mas para aumentar salário, eles estão com tempo e disponibilidade”, disse.

Para o presidente da Unedi, José humberto Resende de Miranda, o reajuste dos edis deveria ser do ano corrente, uma vez que a legislatura atual começou em janeiro de 2017.  “Reconheço que deveria ser feito um ajuste referente ao ano de 2017, qualquer valor acima da correção do período, entendo que deveria ser por mérito, que é o conceito que se aplica à iniciativa privada”.

 

Texto: Leonardo Leal

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